13/08/2017

Vou nunca mais ter nascido em agosto

Choi Mi Kyung


Queria viver e (re)amar, não necessariamente nessa ordem.
Optou silenciosamente por guardar seu resto de felicidade. 
Depois, quis morrer tantas vezes, que já nem planejava mais.
Hoje não, hoje queria deitar na beira do mar e dizer coisas sem sentido.

Paixão, saudade, não sabe que fins levaram. 
Precisaria de cinco minutos para resumir a vida, 
mas levaria o resto da mesma para dizer o que se sente, 
embora quase já não sinta.

Queria escrever.
Mas não havia nada que justificasse as linhas. 
Só hoje aprendeu que um coração partido dói menos que um vazio.
Quem diria que feridas seladas dariam nisso. 

N.



Título: Manoel de Barros 
(Eu sou culpado de mim)

07/07/2017

Your silence is the most violent


Quando uma música traduz tudo que você sente: 

Não posso te chamar de estranho
Mas não posso te ligar
Eu sei que você acha que apaguei você
Você pode me odiar, mas eu não posso te odiar
E eu não vou te substituir

Diga-me como devo me sentir sobre você agora
Oh, deixe-me saber
Eu sufoco ou deixo pra lá?

Acho que estou cansada de superar isso
De recomeçar algo novamente
Estou ficando cansada de começos
E de sempre chegar às suas defesas

Acho que é bom tirar isso do meu peito
Acho inacreditável que ainda não tenha tirado
Você sabe que tenho minhas próprias convicções
E elas são mais fortes do que qualquer vício
Mas ninguém está ganhando

Você me mantém de pé com seu silêncio
Me derruba com sua quietude
De todas as armas com as quais você luta
Seu silêncio é o mais violento

Você não precisa me dizer
Se você pensa em mim
Eu sei que você diz que está ocupada
No nevoeiro selvagem de sua memória
Você não precisa me dizer
Eu ainda posso acreditar.

30/05/2017

- Aqui está, adeus.

Anna Karina - 1963

— Por que veio aqui?
— Tenho 24 anos. Quero lembrar-me disso pelo menos uma vez [...]. Eu te amo... E você já entendeu como. Mas dizê-lo hoje, nestas condições, é como se estivesse orando por um filho nosso que morreu.

Nunca mais a vi. E depois do fim da guerra, voltei à Grécia devido a um mau pressentimento. Não iria reencontrá-la. Você tinha ido embora sem nunca olhar para trás. Mas tive a impressão de rever seu rosto anos depois, nos últimos versos de uma poesia, como quando você se virou e com a mão livre na frente da nuvem dos cabelos, me disse adeus para entrar na escuridão.

Mulheres no Front (Valerio Zurlini, 1965)