segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Monólogo



Aceito histórias de amor para escrevê-las.
As minhas me abandonaram, 
me deixaram a ver navios, eu vivo de vazios.
Pra onde foram as cicatrizes?
Devoradas pelo tempo, aqui estou.
Pedindo arrego, um sossego, uma prova de amor.

Ainda há tanto amar(go) em mim.

Nadine


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

qualquer dia frágil como hoje

Nota: não é saudade, é alívio. It's glorious

Em uma avenida vazia, nossa despedida ocorreu cinco anos atrás. Ainda me lembro das ruas, bebidas, datas, diálogos, mas é preciso me esforçar para lembrar-se do teu rosto. 

Sua imagem é sempre um borrão, como em um sonho fragmentado. Só consigo ver teus olhos apertados, e então, você se desfaz.

Às vezes penso que qualquer dia frágil como hoje, irei te encontrar em algum lugar improvável: numa estrada perdida, num barco a deriva. 

Talvez eu reconheça o olhar que habita o âmago das minhas memórias. Talvez você veja em mim aquela garota do cabelo meio roxo. Talvez a gente se esbarre e talvez nada. Vou sentir que te conheci em outra vida. E continuaremos andando...

Será que ainda me vê? E assim? Como uma lembrança distorcida, que assombra para não ser esquecida totalmente. Em raros momentos de loucura, eu procuro teu rosto nos meus sonhos.

E. N.

"Eu teria te amado, para sempre."

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O abismo de Laura


Ao som de El Pintor.

Eu acendi mais um cigarro, enquanto ela olhava para estrelas que começavam a desaparecer. Ela insistia em entrar no mar, queria provar que estava tão frio e solitário quanto à sua alma. Eu sei, dava pra sentir.

Era nítido o quanto ela estava perdida: em seu sorriso mudo, seu olhar triste fitando as ondas, seus passos leves em câmera lenta, como se estivesse em um filme francês melancólico, esperando ser retirada dele para viver... ou morrer.

Disse-me mais tarde que chorou enquanto estava numa fila de supermercado, tinha tantos motivos que nem sabia por qual. Entrou em um ônibus sem ter aonde ir. Ficou uma hora embaixo do chuveiro desligado, pensando, não se sabe em quê.

É na beira do abismo que ela se equilibra. É nas ironias do destino que ela se apega. Seu vazio está cheio de poesia. Ela queria fugir. Como fugir dela mesmo?

Eu queria ser personagem de um conto, eles sofrem, mas não sentem dor.
No entanto, Laura é tão real quanto eu.

Erllen Nadine

"O problema dos solitários, é que eles nunca estão sozinhos." (Leos Carax)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Alice


 Como o deixou?
 O único jeito de ir embora: "Eu não te amo mais, adeus".
 Suponhamos que ainda o amasse.
 Eu não iria embora.
 Nunca largou ninguém que amasse?
 Não.


 Eu teria te amado, para sempre.
 Eu te amo.
 Onde? Me mostre. Onde está esse amor? Eu não consigo vê-lo, tocá-lo, senti-lo. Consigo ouvir algumas palavras, mas não posso fazer nada com suas palavras fáceis.

Dan + Alice em Closer (2004), de Mike Nichols.