23 de janeiro de 2015

O amor nos versos da nossa adolescência

(desconheço autoria)

Ao primeiro amor...

Além de beijos na nuca, despedidas em aeroportos e rodoviárias também são meu ponto fraco. Agora entendo toda aquela náusea... eu sempre embarquei pro lugar errado.

Te amei dos quinze aos dezessete e um pouco mais. Um pouco sempre. Nos meus devaneios, você sempre me esperou, e um dia nos encontraríamos para vivermos tudo aquilo que não foi permitido. Separados pela vida, nunca por ausência de sentimentos. 

O amor nos versos da nossa adolescência. Um romance que ninguém nunca lerá. 

Depois de você, meu coração ficou tão quebradiço, corrompido por mentiras, rejeitando pedidos de perdão, carregando gritos contidos. Como posso esquecer certas coisas? Se não me liberto das sombras que levo por dentro?

Imagino teus passos, olho pra toda direção, desejando que você apareça e que possa me salvar disso tudo. Alguns anos depois você veio, numa tarde do mês de junho. Ninguém previu a confusão que faríamos, aflorando tudo em nós.

"Eu tinha esquecido você, estou sentindo tudo de novo" eu dizia e te beijava. "Você é linda" você dizia e me despia. 

Mala, chaveiro, vazio. A manhã fria me levou, depois você se foi. Nos meus devaneios, anseio pelo nosso reencontro em alguma curva do destino, esperando o momento certo: ninguém precisará partir.

... talvez o único. 

Nadine


"Você parece tão jovem, como uma margarida nos meus olhos preguiçosos."
(escrito ao som de Interpol)

18 de janeiro de 2015

resíduo

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco (...)

de ternura ficou um pouco
(muito pouco) (...)

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco. 

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo 
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem. (...)

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco, 
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres, 
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço? (...)

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória. 
(...)

Carlos Drummond de Andrade

La vie d'Adèle (Abdellatif Kechiche, 2013)

26 de dezembro de 2014

duas ou mais coisas sobre ela

 
eu: por Amélia/Fernanda Paes. 
"Me faz chorar e é feito pra rir."


Nada do que eu quis ser um dia eu me tornei. Sinto que estou anestesiada diante da vida e meus sonhos evaporaram na minha frente. Olho para trás e só vejo escombros, olho para frente e não vejo ninguém. Agora, estou de mãos atadas com a solidão. Incontáveis sensações me consume, sinto tudo e não sinto nada. Me esforço para falar e ao mesmo tempo conter o choro, desatar os nós na garganta, os apertos que enjaulam o coração. Não sei quando minha alma adoeceu, essas dores já não cabem mais em mim. 

Metade de mim não quer existir. A outra metade busca motivos que não virão. Na dança da tristeza, não tenho par. Não há ninguém que me compreenda sem me julgar.

Duas ou mais coisas sobre ela:
1. sou fodidamente egoísta
2. invejo os suicidas
3. sofro de excessos, excessos de vazios
4. você é louca - a única verdade que me disseram.

Nadine



escrito ao som de: "Só agora descobri a falta das notas que nunca ouvi, que soam como um corte, um corte em mim. Eu nunca mais fui eu, eu nunca mais lembrei de mim. O mundo se esqueceu, eu não sei mais o que é sentir. Eu vivo entre o sonho, a morte e o fim." (Boogarins)