17 de agosto de 2015

VI - diário de agosto

Viver a Vida (Jean-Luc Godard, 1963)


Uma vez eu sai da sua cama e fui para outra. Nunca me arrependi, fui mais feliz em uma noite do que em milhares de outras. Fui feliz porque me senti eu mesma, não precisei fingir nem esconder meus defeitos, sentindo uma paixão meio suja por mim e alguém que não era você.

Você também fez o mesmo inúmeras vezes, mas você podia, eu não. Afinal, uma mulher é apenas uma mulher. 

Precisei de centenas de dias para esquecer outras centenas com você, e muito choro, e muita dor. Agonizei de vazio, gritei em silêncio. Você precisou de algumas transas. Garotos serão sempre garotos. Adeus, deletada da memória, nunca existi.

Sobre querer fugir eu entendo, sobre amar eu finjo saber, sobre amar sozinho eu sinto muito. Minha traição maior foi comigo mesma. E eu sou tudo que me restou.

Nadine

escrito ao som de Placebo e Halsey.

19 de junho de 2015

hey Nana

(desconheço autoria)


Quero fugir do meu corpo toda vez que lembro de você.
T u d o  d ó i. 
Sinto uma necessidade assustadora de desaguar.
A leve chuva na madrugada, o cheiro que recorda um antigo carnaval,
a tv no mudo quando os olhos embaçados nem sabem o que veem, 
a pizza de ontem no café da manhã. O choro diante de qualquer banalidade. 

A verdade é que fui perdendo muitos pedacinhos de mim ao longo dos anos.
Mas você, você tirou o maior deles.

Dizer adeus não era suficiente. 
Você precisou destilar sua sujeira, me marcar o mais fundo possível, 
com uma maldade que eu desconhecia. 

Não te amo mais, eu acho, porque te amar seria masoquismo.
E por falar em amor, em que momento você deixou de me amar?
Deixa pra lá, não quero saber, foi no inverno passado, certo?
Não importa, nem acredito que realmente amou. 

Mas acreditei por muito tempo, alguns anos e outros meses, 
que a vida reservava o melhor pra gente. Uma sonhadora, dois perdidos.
Eu só queria proteger você de você mesmo, mas eu esqueci de mim. 
Estou pagando meus pecados por ter te amado demais, 
a única dívida que sobrou é não saber como, nem querer te perdoar, 
nunca nunquinha.

Eu, mais bagunçada que meus rascunhos, imersa em arrependimentos 
e erros, não sabendo lidar com o que tem por dentro.
Cansada, mente e alma fragmentadas. 

Quantas vezes um coração aguenta ser partido? A segunda vez é ainda pior. 
(Parece que não aprendi nada). 

Nadine 

escrito ao som de
feito pra acabar