dezembro 29, 2010

Última prece do ano


"Apronto agora os meus pés na estrada. Vou ali ser feliz e não* volto." (Caio F.) 
                        
Arrume as gavetas. Jogue fora o choro contido. Pegue carona com o vento e vá atrás dos sonhos. Rasgue o calendário velho e riscado com as datas contadas. Se possível, rasgue os velhos amores também, aqueles que doem. Ponha açúcar na vida, como se não existisse amanhã, porque um dia não existirá. Agradeça mais, perdoe mais, AME mais. Acredite no impossível. "Só o impossível me interessa". Deseje o mundo melhor, não só na meia noite de sexta, mas sim em todas as manhãs que você acordar. Agora, siga todas as luzes em frente.

Erllen Nadine

Para todos: Feliz ano novo. Paz, amor, empatia.

"Se me desse um último pedido, um único desejo: ainda assim eu escolheria você." (Tati B.)

dezembro 26, 2010

Quase

Aquele ar de mistério continuava no ar.

Quando penso em você, abro sorrisos com pedaços
de sol de uma ponta do rosto a outra.

Quase paro de sentir dor.

dezembro 18, 2010

Dos diálogos que não aconteceram

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

No rádio tocava Conversa de Botas Batidas. Havia duas xícaras
vazias, olhos encharcados e corações (pre)enchidos:

Parece que algo dentro de você sempre sabe a hora certa de dizer adeus.
Talvez por isso eu tenha desistido. Tanto tempo.
Meses. Para ser mais clara: 15 meses.
E o que você fez?
Eu estava por aí. Esqueci o caminho de casa. Eu só sabia o nome da sua rua.
Também esqueci algumas coisas. Esqueci meu signo. Mas sei que somos ascendentes.
Você lembra do meu 2° nome? Eu deixei ele escrito nas suas roupas.
— Eu nunca apaguei ele de mim. E se eu pudesse voltar atrás?
Não pode. E se pudesse, faria tudo de novo. Eu conheço você.
(Silêncio)
Só queria que soubesse: De tudo que eu esqueci, eu não esqueci você.
Nem eu.
(Silêncio)

Erllen Nadine

dezembro 16, 2010

II - das cartas que não são enviadas

Bem meu, para você, meu bem.

Eu quis te mandar um desenho, aquele desenho engraçado que você fez numa folha amassada, e havia também uma data, escrita em um guardanapo. Afinal, eram lembranças, eu queria que você ficasse com elas. Meu erro foi querer te proteger de qualquer mal que pudesse lhe alcançar. Eu não desisti, mesmo sabendo que daria errado, porque era você. Você. Eu quis te contar do estrago que a dor fez, mas quando vi você na minha direção, esqueci dos cortes. Mas o teu silêncio falou mais alto. Fui pela estrada torta, você pegou a contramão. Tranquei teu amor dentro de mim e entreguei as chaves para Deus. Sinto falta do "eu te amo" que você nunca me falou; e que eu disse, mas você não ouviu, porque já tinha dobrado a esquina.

Tô te esperando, principalmente aos sábados;
às 18 horas, na rodoviária de sempre.


Erllen Nadine

dezembro 10, 2010

Febre de todas as cores


O teu calor causava febre no meu corpo.
Quando você foi embora, cessou.
Eu já não sentia o teu amor arder.
Mas então, deu-se início a uma enorme dor.
A dor era tanta, que até as flores da vizinha sentiam;
devia ser, já que todas elas murcharam.

Erllen Nadine


Título: de um poema da Alice Ruiz.

dezembro 07, 2010

♪ Sobre uma garota

Nadine

"O que há dentro dela é alguma coisa mais forte que o amor que se dá 

e o que há dentro dela exige mais do que o amor que se recebe."
(Clarice Lispector)

Ela disse uma vez, que queria regar esse Sertão, com as lágrimas que já saíram dos seus olhos castanhos. Eu disse várias vezes, que queria espalhar o riso dela nos meus dias difíceis, como música. Ela fez do tempo seu amigo, e transformou medo em armadura, para enfrentar correntezas e noites sem estrelas. Fez dela mesmo seu próprio caminho, para se encontrar, toda vez que se perdesse.

Erllen Nadine

dezembro 06, 2010

Verbos não encontrados no dicionário

 M. F. e E. N.


"Não ir embora: Ato de confiança e amor." (Markus Zusak)

Para "meu amor das pernas finas"

Você continua sendo meu amigo de sempre, mesmo não mais existindo palavras entre nós. Não vou me esquecer dos rocks, das gargalhadas, o cigarro e a vodka, os desabafos, o parque de diversão. E no Carnaval, enquanto todo mundo pulava, eu chorava nos seus braços e abraços aquele amor perdido. Chorei na sua frente muitas vezes depois, porque era você, o único que me entendia. Mas a distância e outras pessoas nos partiram, em dois, quando deveríamos ser um.

Me diz, existe algo que seja para sempre? Mas eu sei, os sentimentos ficam, mas as pessoas, ah!
As pessoas é que vão embora.

de sua "musa" Erllen Nadine


"Às vezes eu tenho vontade de ter outra vez um amigo como aqueles que a gente tinha na adolescência. Aqueles pra quem você contava tudo, absolutamente tudo. E que no fim você nem sabe mais se é amigo ou irmão." (Caio F.)

novembro 28, 2010

I - das cartas que não são enviadas

Bem meu, para você, meu bem.

Já é tarde e não consigo dormir, te escrevo para te lembrar de "nós", ou para fingirmos que havia "nós". Te escrevo porque não me suporto, não suporto "eu" sem "você". E esses dias sem vida e sem fim. Não suporto minha risada sozinha. Lembra quando nossas risadas se entrelaçavam? Eu não sabia mais qual era a minha, nem qual era a sua. Sei que não preciso escrever muito. Você me entendeu. Sim, é um pedido de socorro.


Erllen Nadine

novembro 24, 2010

Sem Ana, sem sorrisos

"Ela era um anjo, e os anjos não pertencem a Terra." (Caio F.)

Para Anatália C. F. H.
e os 6 anos de sua ausência.

Como se diz para uma menina de 12 anos que sua melhor amiga teve que ir ser um anjo? Inútil traduzir respostas. Tenho em mim, uma cicatriz que nunca fechou; sinto uma dor, que não existe tempo que cure.

Me lembro bem de você: seu sorriso, sua voz e doçura, seu cabelo castanho claro; das tardes que passamos juntas. Quando fecho os olhos, lembro de nós voltando um dia da escola, tomando banho de chuva, sem nos importarmos com os cadernos; quando abro os olhos, lembro que eu cresci sem você, e sinto falta de tudo que não vivemos juntas.

Dentro de uma caixinha de madeira, eu guardei um desenho, poemas e folhas de um antigo caderno, que entre tantas coisas você escreveu: "Erllen, seja sempre assim, sincera e brincalhona... eu quero que você seja muito feliz... Jamais estará sozinha um segundo. Não vou colocar data, para não virar passado. De sua amiga de hoje e sempre, Anatália Cristina".

Você é a maior saudade que eu tenho, sei que está me protegendo e que você está muito bem. Também sei que ainda vou te abraçar, eu te amo e você jamais sairá do meu pensamento. Obrigada pelos anos da nossa infância que passamos juntas, pela descoberta da amizade.

Sua eterna melhor amiga de infância,
Erllen Nadine.

"É tão estranho, os bons morrem jovens,
assim parece ser, quando me lembro de você,
que acabou indo embora cedo demais...
Eu aprendi a ter, tudo o que sempre quis,
só não aprendi a perder, 
e eu que tive um começo feliz..."
(Legião Urbana)

novembro 17, 2010

A bailarina e o astronauta

Vai me amar amanhã?

(Porque se não for, me diga antes que eu aprenda a ler seus pensamentos, que eu saiba qual a música que você escuta antes de dormir; antes que o seu filme preferido torne-se o meu também. Diga-me antes que o seu perfume cole no meu corpo, para eu não senti-lo em todos os lugares; antes que eu deite na maciez dos seus lençóis, para evitar que eu tenha insônia e perceba a ausência ao lado. Me diga antes que eu saiba dos seus problemas, para não torna-se meus também; antes que eu saiba as ruas por onde andas, para eu não te perseguir loucamente de amor e com pedaços de coração e sonhos nas mãos)

Amanhã, depois de amanhã. E sempre.

Fez a pergunta várias vezes, sempre obtendo a mesma resposta.

Erllen Nadine

Título: música da Tiê.

novembro 11, 2010

Sem ponto final

Na foto: Dayanne Támela, por: Erllen Nadine.

Há frases erradas, saudade acumulada,
há pontos de interrogações e silêncio como resposta;
há canções, vírgulas e exclamações do que se sente sem saber porquê;
o tempo parou, para que o seu cheiro ficasse por aqui, por aí. ai!
Como dói não mais te ter e não saber de tudo ou nada que te acompanha;
só não há um ponto final para esse amor que insiste em viver

Erllen Nadine

Ps: Sumi, sem deixar pegadas na areia;
tô voltando, pra escrever teu coração

outubro 23, 2010

Deixa

"Ela pediu: — Deixa eu cuidar de você?" (Caio F.)


Deixa eu me deitar no seu colo e te contar das minhas vidas passadas e de todas às vezes que te encontrei no meu caminho. Deixa eu me aproximar, para sentir de perto sua respiração, e dar sentido a cada batida dos nossos corações. Deixa eu falar no seu ouvido carinhosamente de todo o sentimento, dos devaneios. Deixa eu encostar minha boca na tua, para liberta-se da saudade... Para tentar te convencer... Que nunca vou te esquecer.

"Deixo."

Erllen Nadine

outubro 11, 2010

Eu te amo


"Diz, quem é maior que o amor?" (Los Hermanos)

Eu te amo, mesmo sem nunca ter falado para você.
Mesmo não mais olhando em seus olhos, nem ouvindo sua voz.
Mesmo não fazendo mais parte da sua vida.
Eu te amo, apesar dos "por tantos, não dá mais certo, adeus".
Apesar do seu coração de gelo (que um dia eu derreti).
Apesar do meu coração de pedra (que um dia você quebrou).
Eu te amo, mesmo com Km de distância entre nós.
Mesmo te odiando algumas vezes.
Eu te amo, mesmo não sabendo amar.

:'(

E.

outubro 09, 2010

Um diálogo

Na foto: Lídia Medeiros e Erllen Nadine.

— Você disse a ele que o ama?
— Não, eu não disse nada do que eu sinto.
— Se você tivesse falado talvez ele não tivesse...
— Não ia adiantar. Você não entende.
— Como tem certeza? O que não entendo?
— Não era preciso dizer nada. Ele sabe que eu o amo, pelo jeito que eu olho para ele.
(Silêncio)

Erllen Nadine

"Quis lhe pedir pra ficar, de nada ia adiantar."

(Os Paralamas do Sucesso)

outubro 07, 2010

Do verbo desaparecer

Desapareci da sua lista telefônica,
da sua caixa de entrada, do seu correio.
Desapareci da sua estrada, dos seus desejos.
Do seu céu estrelado, do seu jardim perfumado.

Eu só não quero de jeito nenhum,
desaparecer do seu coração.

Erllen Nadine

outubro 02, 2010

Um pedido de desculpas

"E te peço, me perdoa, me desculpa que eu não fui sua namorada, faltou o ar. A gente segue a direção que o nosso próprio coração mandar, e foi pra lá." (Tiê)

Há muito sobre mim que você precisa saber, para entender porque às vezes eu fugia de você. De um lado, meu coração que parece não deixar eu amar; do outro, meu egoísmo, que não deixou dividir-me com você. Foi puro medo, medo de bagunçar sua vida, quando tudo que eu queria era te dar paz. Medo de não saber quais palavras usar, e tudo que eu fiz foi te dar silêncio. E mesmo não querendo, eu fui embora, só não disse adeus. Fui, pensando em você, e para diminuir o dilaceramento futuro [...]. Eu só quero te pedir desculpas. Desculpa por ter feito você atravessar metade da cidade, por não ter falado o que você queria; desculpa por olhar para trás, e não caminhar lado a lado com você.

[Erllen Nadine, um bilhete escrito na aula de Estatística]

"Quero ver você maior, meu bem, pra que minha vida siga adiante."
(Los Hermanos)

setembro 24, 2010

Pelo quarto

Nossos antigos planos tomaram o espaço das gavetas,
a saudade ganhou forma e impediu que a luz entrasse pela janela,
nosso passado está bordado nas paredes,
as lembranças roubaram o oxigênio.
Tento andar devagar, para não me cortar com todas as promessas
quebradas, que estão espalhadas pelo chão.

[Erllen Nadine]

"Uma ausência sobre a cama." (Caio F.)

setembro 16, 2010

Perto do coração

"— Você acha que o nosso amor pode fazer milagres?" (Diário de Uma Paixão)


Ele odiava aquele batom escarlate, misturado com o senso de humor sarcástico dela,
(mas não parava de olhar para aqueles lábios);
Ele odiava quando ela ouvia Oasis no último volume,
(mas ele só conseguia dormir, quando imaginava ela cantando);
Ele odiava o cabelo dela tão liso naturalmente e sem graça,
(mas tinha ciúmes do vento quando o bagunçava).

Ela odiava aquele cigarro, junto com a bagunça dele,
(e de tanto não gostar de vícios, ela tornou-se viciada nele);
Ela odiava a paixão rubro negro que ele tinha,
(mas em segredo, torcia pelo time de futebol dele);
Ela odiava quando ele deixava a barba crescer,
(mas amava os arrepios que sentia, quando seus rostos estavam colados um no outro).

— Apesar de muito, meu amor é muito maior.
— Apesar de sempre, eu sempre vou te amar.

[Erllen Nadine]


"— Eu acho que o nosso amor pode fazer tudo..." (Diário de Uma Paixão)

setembro 12, 2010

s2

"Tradutor de sentimentos e leitor de almas." (Lia Araújo)

"Seu sorriso derretia satélites e corações gelados."

Foi me perdendo nas suas palavras,
que eu fugi ao seu encontro, para encontrar-me.
Espalhei suas cores, seu olhar, seu sorriso,
sua dor e amor, pela casa inteira.
Eu sempre Caio para dentro de você.

Erllen Nadine

"Você é de Virgem, não? é o signo regido por Mercúrio, o planeta da inteligencia. As pessoas de Virgem sempre conseguem o que querem, embora no começo pareça tudo muito difícil..."

Pela passagem dos 62 anos.

setembro 07, 2010

Não se pode ter medo


"Tudo neles era recíproco - e o medo de se ferirem cresceu junto para explodir num silêncio súbito." (Caio F. Abreu)

Ao som de Stop Crying Your Heart Out (Oasis)

Ele sentia que ela era a única que poderia entendê-lo, e talvez por isso, contava apenas para ela dos seus problemas, sentimentos, desejos. Às vezes ele a acordava à meia noite com mensagens de amor ou piadas sem graça, tão sem graça que a fazia rir; e depois ela voltava a dormir bem melhor. Ele a desenhava, e mesmo com traços meio tortos, seus corpos completavam-se muito bem. Ele cantava desafinadamente para ela adivinhar as músicas e ela sempre acertavam. Porque ela sempre sabia a nota seguinte, o minuto seguinte, que tipo de música ele iria cantar - apenas pela expressão que ele fazia. Ela sabia de cada passo que o coração dele mandava seguir.

E juntos sabiam, que não se pode ter medo.

E quando tiveram medo: Tudo se cobriu com poeira - as mensagens eram de meses passados, as risadas pararam no tempo, os desenhos desbotaram-se, a música transformou-se em silêncio. Não houve mais expressões com significados e nenhum coração batendo.

Erllen Nadine

"E eles ficaram ali, olhando um para o outro, com os restos do amor no chão."
(André Gonçalves)

setembro 04, 2010

Do verbo esperar


"Viu os frutos do pomar amadurecer e serem colhidos, viu a neve derreter-se
nas montanhas. Mas nunca mais viu o príncipe."
(Hans C. Andersen)

Continuei morando na mesma rua; mesmo desbotada, a casa ainda tinha a mesma cor: azul claro - a preferida dele. O quintal ainda estava florido, não deixei nossas flores morrerem, assim como uma parte de mim; e os beija-flores continuaram a me visitar. Eu ainda sentia o cheiro dele e havia sempre duas xícaras sobre a mesa. Continuei agindo como se ele nunca tivesse partido. Mas sempre a espera dele. O tempo foi passando [...]. Um dia, os beija-flores deixaram de me visitar; e junto com o jardim, morreu todas as esperas(nças).
E quanto tempo conseguimos esperar que alguém volte para nossas vidas? 
E. N. 

"As luzes da casa nunca mais tornaram a acender com sua chegada." (Caio F.)

Setembro

Um ano atrás:
Durante a madrugada, saíamos de uma festa qualquer. Apenas nós dois andando pelas ruas vazias da tua cidade pequena, rindo e embriagados, de (quase) amor.

E hoje:
"Eu fico sem saber, se ainda lembra o meu nome."
(Reação em Cadeia)

agosto 22, 2010

Que seja amor


Que eu seja o seu maior e melhor amor; o mais doce, mais quente, mais risonho e importante. Daquele amor, que mesmo quando acaba (por medo ou distância ou destino), nunca acaba de verdade. E mesmo que passe por você, muitas outras... Você sempre vai preferir o meu beijo, abraço, carinho e lençóis. Que seja amor tudo o que você sinta, e guarde muito bem; para o tempo nunca apagar e nada, nem ninguém tentar destruir. Que seja amor - para nunca esquecer; e se não estivermos juntos, que você seja muito feliz, mas sabendo que ao meu lado será muito mais. Que esse amor faça ter um pouco de mim em tudo que você enxergar.  Que seja amor, para uma, duas vidas inteiras. E na sua vida seguinte, você ainda terá o mesmo amor por mim, somente e para sempre por mim.

Erllen Nadine

"Que seja infinito."
(Vinícius de Moraes)

agosto 20, 2010

Pouco a pouco

"É tão bom, morrer de amor e continuar vivendo."
(Mário Quintana)

Nesse momento, sinto como se eu tivesse arrancado um peso de dentro de mim. Todo esse peso que habitava meus pensamentos, minha alma e o meu coração... Era você. As noites de insônia foram embora, pela janela do segundo andar; as lágrimas que ficaram por dentro, não sentem nenhuma necessidade de sair. O que eu sentia por você, aos poucos foi esfriando, de tal maneira, que nem café consegue aquecer. Não me pergunte como as coisas tomaram esse rumo, nem eu sei. Eu só precisava pensar mais em mim; cansei de sofrer e de te esperar, não tenho mais capacidade para isso. Pois é, um dia a gente cansa de correr e não chegar a lugar nenhum. E agora, o meu coração que você fez parar - pouco a pouco está voltando a bater.

Erllen Nadine

agosto 10, 2010

Sorriso (mudo)

"Foi esse sorriso que doeu. Doeu pelo resto da vida."(Caio F.)

Tirei forças não-sei-de-onde, para arrumar as roupas espalhadas pelo quarto na mochila, antes que o ônibus partisse. Dobrei as roupas, mas sem aquele jeito delicado da mamãe. Olhei a hora, ainda tinha tempo para andar pelas ruas que eu queria, e escrever isso no papel. Passei pelos lugares em que já estivemos e deixei um sorriso. Sorri para o asfalto que pisamos; para as praças que sentamos e as flores que estavam por ali; sorri para as árvores e casas que um dia viram nossos beijos e abraços. Sorri também para pessoas desconhecidas. Por um instante, vi nossa imagem, sorri para nós e continuei andando. Aprendi com Caio F., que se olhasse para trás, incompleto partiria - não olhei para trás.
Pois eu não devia, eu não podia.

Erllen Nadine

"... quando a gente cessa de ser amado."

E. N. e J. G.

G — E por que, quando a gente cessa de ser amado, a gente também não ama mais nada?
N — Porque talvez, a gente só consiga amar uma vez, amar mesmo, pra valer. E quando parar (se parar), a gente não vai voltar a sentir o sentimento igual ao passado; vai ser sempre algo sem o mesmo brilho e intensidade. Algo que em alguns instantes vai passar, fácil de esquecer. Ah, ou pode ser também, que aquele espaço que antes era amor, vire algo frio e sem nexo, e que nada vá preencher novamente, talvez aí um motivo para não se amar, mais.

agosto 06, 2010

Do verbo apagar

Apaguei seu cheiro, voz, sabor, sua cor, dos meus sentidos. Apaguei seu nome dos meus cadernos, do meu telhado, das paredes pichadas, da casa inteira, das ruas em movimento. Apaguei seu rosto, seu brilho da minha mente. Apaguei seu toque da minha pele, dos meus fios de cabelo. Apaguei seu nome da minha lista de sonhos, de risadas preferidas. Apaguei seu nome escrito com giz de cera no céu. Apaguei seu nome escrito no jardim com tulipas. Apaguei nossos acordes que estavam por aí, as dedicatórias em livros de amor.

Depois... Fui comprar mais borrachas, para apagar você do meu coração.


Erllen Nadine

O tempo passou

eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele. Ele quem mesmo?

(Tati Bernardi)

agosto 04, 2010

Pretérito imperfeito

Você gostava de mim. Eu amo você.
Sabe o que os verbos significam?
Que nunca daremos certo.


(Erllen Nadine)

"Ah, Deus..."

"Ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de Mim mesma,
em certos momentos brancos, porque basta-me cumprir e então nada Impedirá meu caminho."

(Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector)

agosto 01, 2010

Caminho

Não dá para continuar sobrevivendo assim, eu continuo a recolher migalhas de palavras, lembranças, sentimentos que me fazem acreditar que você ainda pensa e sente algo por mim. Ou eu falo tudo que eu nunca disse do que eu sinto para você, ou eu tento te esquecer de vez, seguir meu caminho, sem ficar olhando para trás.


E.

Sugestões para atravessar Agosto

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto [...]. Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: Se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições [...]. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon [...]. Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

(Caio F. Abreu - Crônica escrita em Agosto de 1995, O Estado De São Paulo)

julho 31, 2010

Noite de julho


"Resolvi que nesta noite de inverno em que vamos virar a noite de sábado pelo avesso 
da noite de julho, ninguém vai falar do que podia ter sido e não foi."


(Caio F. Abreu)

julho 21, 2010

Ausência

Às vezes chove dentro de mim, e tem dias que o sol lá fora, queima os meus olhos encharcados. Em dias que não se tem nada para ocupar a mente, eu sinto a sua ausência ao meu lado. Construí minha vida ao redor da sua, você é uma continuação minha, eu sou uma continuação sua. Mas outros dias virão, onde tudo vai passar, onde eu vou mudar querendo ou não; entre tantas coisas, aprendi isso com você.

E.

julho 13, 2010

"Eu sinto muito."

"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos."
(Martha Medeiros)


Sinto falta do tempo em que às amizades não mudavam,
do tempo em que minha avó contava as histórias do meu avô;
sinto falta do tempo em que brincar era o melhor remédio,
do tempo em que eu não tinha ninguém para esquecer.

Sinto falta do tempo em que eu não sabia o que era sentir falta.


Erllen Nadine

julho 08, 2010

Meio a meio


Faz meses que não te vejo, que não falo com você; não sei se você está bem, se está estudando, se está gostando de outro alguém ou se às vezes ainda sonha comigo. Nada mais sei sobre você, além do que sobrou. Recentemente vi umas fotos suas, o corte de cabelo ainda era o mesmo, o físico, o estilo de roupas. Mas tinha algo diferente, eu sei que tinha, porém, como eu poderia explicar? Era algo no seu olhar castanho escuro, como se faltasse algo por dentro de você. Era o formato dos traços do seu sorriso, como se tivesse perdido um pedaço de você...

... Então lembrei, talvez o que faltava, era o pedaço de você que eu levei comigo, e não consegui te devolver.

Erllen Nadine

"Quero o seu inteiro e a minha metade de volta."

O nome dela

Para Dayanne Soares.

Ele sabia o quanto seria difícil esquecer uma tal garota, mas tentou agir como se nada tivesse perdido. Sem ela, seu coração se tornou frágil demais, um tanto quebradiço e molhado. Então, em um dia qualquer, ele conheceu uma garota; ela não tinha nada a ver com a menina que ele tentava esquecer, exceto... Pelo nome. Era apenas uma letra que mudava, mas quando aquelas primeiras palavras chegaram até ele, sentiu o céu desabar. Como se tivesse ficado atordoado com tanta saudade e amor. De repente, se afastou daquela garota, das palavras; queria fugir daquele dia, se fosse possível. Ao invés disso, parou no tempo, com a solidão em volta, chorou e chorou. Lembrando. Amando. Pensando nos erros que cometeu, nas decisões precipitadas que tomou; pensou em sumir mais ainda, ou quem sabe voltar. Não conseguia conter as lágrimas, os pedaços de corações que caíam sobre as mãos; não apenas o dele, mas também o dela que havia se misturado. Mas o silêncio que ele escolheu foi mais forte, ele preferiu continuar sozinho e perdido naquela cidade grande, porém, sempre com o nome dela escrito no pensamento dele.

Erllen Nadine

julho 01, 2010

"... Porque eu não esqueci."


Ouvindo os desabafos de uma amiga, tentei achar palavras, mas nada encontrei.
— Eu não sei o que dizer, mas eu sei como se sente.
Mas ela fez a pergunta que eu temia, com tanta certeza; acho que eu fingia muito bem.
— E o que você fez para esquecer?
Dei-me conta de que eu não fiz nada, nem tentei, nem achei que tivesse o que fazer. Fui apenas sincera.
— Eu não fiz nada... Porque eu não esqueci.

Erllen Nadine

"[...] Barquinho na correnteza, Deus dará." (Caio F.)

junho 15, 2010

Depois de Junho

"Era preciso que fosse um momento absolutamente perfeito. — Ele foi dizendo, uma tarde afinal de Junho. Ela esperava, ele respirou sete vezes, profundamente. Eu não consigo entender nada do que se passa meu amor secreto, meu amor calado." (Caio F.)

Foram muitos desencontros, então em uma manhã quente de junho, finalmente nos encontramos, em um dia que parecia que nada ia dá certo, e só deu certo, porque fomos contra o destino. O vi seguindo em minha direção houve o encontro de olhares, um abraço apertado, conversas paralelas, uma piada boba, minhas bochechas vermelhas. E depois de junho, "fomos levando assim, que o acaso era amigo do nosso coração", e morando em cidades diferentes, não muito distantes, nos víamos quando dava certo. De repente, os sentimentos foram aumentando rapidamente, eu ficava pensando nele, então ele sonhava comigo; eu lia os pensamentos dele, então ele plantava afeto em meu coração. Era amor? Não sei! O que é amor?! Seja lá o que sentíamos ou não, foi cada vez crescendo; até aparecer aquilo que damos o nome de: Medo.

"— Tanto medo, você me entende? Mas ela não sorria nem movia músculo algum no rosto." (Caio F.)

Então aconteceu um erro. E no outro dia não era mais igual.
— "Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.".
— Eu sei [...] (Ninguém disse o final da frase, sabíamos bem como era).

E quando eu relembro do fim, que não foi em junho e também não era mês dos leoninos, as palavras ficam rodando na minha memória. É triste, dói, quando a distância parte ao meio, dois corações que eram um só. E mesmo que eu tivesse a chance de voltar a junho de 2009, exatamente um ano atrás, e não te encontrar... Eu te encontraria da mesma forma, mesmo sabendo do fim. Porém, algumas coisas eu mudaria: te abraçaria mais, te beijaria mais, te daria mais sorrisos, não te deixaria nunca ter medo, eu não teria medo, medo de dizer que te amava.

"E acabava assim, ainda que não fosse absolutamente perfeito, chovera demais nos últimos meses. Era uma pena, todos nós sentimos muitíssimos, mas que há de fazer se acaba mesmo assim?" (Caio F.)

Depois daquele junho, eu nunca mais fui a mesma.

Erllen Nadine


Ao som de "Último Romance" (Los Hermanos)

Carta a Ane Gabriela

Na foto: Ane Gabriela.

Mossoró - RN, 12 de Junho de 2010.

Cravo e canela, minha querida Gabriela

Fiquei pensando em nossa rápida conversa, imaginando como você está aí do "outro lado", queria poder dizer algo para secar o rio na sua face. Também pensei no que você me disse: "Tente amiga, tente ser feliz, tente mais uma vez, tente até o fim!" Mas eu não sei se tenho tanta força quanto você, não sei se consigo, entende? Porém, eu tenho fé, um dia em qualquer lugar, de frente para o mar, pode ser? Natal, Maceió, não importa; vamos sentar e rir disso tudo, rir! E mesmo que alguma lágrima queira cair, você não vai deixar, eu não vou deixar. Porque no fim de tudo, todos os delírios, todas as desilusões, vão dá uma tapa nas nossas caras, para acordarmos desse pesadelo.
É difícil mudar o disco, principalmente quando é o nosso disco favorito, e quando ele quebra, e não dá pra colar, e nem adianta comprar outro, porque o valor sentimental não vai ser o mesmo, o que temos que fazer é guardá-lo com carinho em um lugar que ninguém ache. Você sabe do que estou falando. E agente não pode desistir de nós mesmo também, né?! Apesar de todas as quedas, a vida é bonita, e há muita gente depois das paredes.


E te cuida, por favor! Tô te esperando
de frente para o mar... Abraço forte,

Erllen Nadine


"Ah Força do que Existe, ajudai-me, vós que chamam de o Deus."
(Clarice Lispector)


junho 12, 2010

Hoje...


... meu dia de fumar alguns cigarros, beber martini, chorar lembranças, sangrar saudades, ler as cartas que nunca te enviei, tuas mensagens que nunca apaguei, ouvir nossas músicas, fingir que está tudo bem. Rezar e dormir. E se eu tiver algum pesadelo, prometo não te ligar.

E.

"Volta prá mim, vem pro meu mundo,
eu sempre vou te esperar."
(Os Paralamas do Sucesso)


Para aqueles que continuam remando, Feliz Dia Dos Namorados. :*

junho 09, 2010

Era quarta-feira...

Era quarta-feira (de cinzas?). Você ia embora e eu não poderia fazer nada. Você olhou profundamente para mim, desviei o olhar, quando tive certeza que você percebeu o quanto eu estava triste. Esperei com você, até a hora que o ônibus chegasse, até você partir. Ficamos conversando bobagens, algumas tentativas inúteis para sorrir. Contei os minutos para que o ônibus não chegasse, 'não hoje, não hoje, não agora'. Nenhuma prece e nenhum dedo cruzado adiantaram. Você deu um beijo na minha bochecha rosada e um abraço apertado; pouquíssimas palavras, que eu não ouvi direito. Sei que você sabia o quanto eu chorava por dentro, e só chorei por fora, quando você virou as costas, entrou no ônibus, e eu nunca mais te vi.

E não houve mais palavras, nem beijos na bochecha ou abraços apertados; houve uma distância imensa, cercada por silêncio e saudade, de dois estranhos que tentavam se conhecer. Duas pessoas tão diferentes, que tentavam ser iguais.

Erllen Nadine


Ao som de "We Might As Well Be Strangers" (Keane)

maio 29, 2010

Talvez


Talvez se nos encontrássemos amanhã ou depois, não importa.
Talvez estivesse tão diferente do tempo em que eu sabia quem era você, você sabia quem eu era. Talvez você estivesse com alguém ou não; talvez eu estivesse com alguém ou não. Talvez você viesse falar comigo, talvez eu te ouvisse. Talvez você chorasse na minha frente, como já quis. Talvez eu chorasse na sua frente, como já fiz. Talvez você descobrisse que me amava ("amor a milésima vista"). Talvez eu admitisse que sempre te amei. Talvez você me pedisse para ficar. Talvez eu te pedisse motivos para ficar. Talvez toda esperança fosse em vão. Talvez de uma forma ou de outra o sofrimento fosse me guiar. Talvez tentássemos (de novo) de um "jeito que desse certo". Talvez adeus. Talvez para sempre. Talvez eu nunca saiba se todos os "talvez" iriam acontecer. Talvez se nos encontrássemos amanhã, ou depois, não importa.

[Erllen Nadine]

"Será que você ainda pensa em mim?"
(Os Paralamas do Sucesso)

maio 28, 2010

Alicerce

Sabe quando as pessoas vão construindo uma casa, do zero, ou reformando e tirando as marcas, de um jeito que elas não caiam; e quando terminam, pintam elas com as cores mais bonitas. As pessoas também poderia ser assim, eu poderia ser assim. Que nós conseguíssemos nos reconstruir, que nós apagássemos as marcas em formas de tatuagens, que a beleza das cores fosse felicidade refletida. Que nunca caíssemos. [...]




"Desenho toda a calçada
acaba o giz, tem tijolo de construção,
eu rabisco o sol que a chuva apagou.
Quero que saibas que me lembro,
queria até que pudesses me ver.
És parte ainda do que me faz forte.
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz."
(Legião Urbana)

maio 22, 2010

Encontra-ar

É um conto sobre amores inacabados, a tentativa inútil de esquecer alguém, sobre quanto tempo podemos esperar para reencontrar quem nos marcou, sobre amor e dor, cores desbotadas, "sim e não", sonhos não acordados, planos não realizados.

por trás do olhar de Laura:

O meu dia tinha sido uma correria igual aos outros, eu estava cansada, mas minha reportagem sairia no jornal na manhã seguinte, e por isso eu estava bem feliz. A viagem tinha sido longa, mas valeria a pena pelo meu trabalho. Embora eu tenha ficado com medo, de quem eu poderia encontrar pelas ruas; e o medo só passou, quando de repente eu encontrei.

O sol já estava se pondo, havia uma leve chuva, com aquele frio que eu adoro. Fui a uma padaria, perto do hotel que eu estava. Tinha muitas pessoas por lá, mas quando eu o vi, parecia que só existia ele. Ele estava tão diferente do homem que eu julgava conhecer, tão triste, como se tivesse na lama, com cara de insônia, vazio por dentro e por fora. Eu achava que nunca mais iria vê-lo, pensei em fugir daquele lugar, mas eu estaria sendo igual como um dia ele foi, e eu não tinha nada a temer. Então ele me viu, surpreso, também não estava acreditando; ele sorriu, foi quando eu tive a certeza que era ele, eu conheceria aquele sorriso até no escuro. Acenei. Nos aproximamos devagar, dei um passo para trás quando percebi que ele queria um abraço. Sinceramente eu não guardava mágoas, mas também não queria demonstrar compaixão, se é que existia. Fiquei firme, não queria de jeito nenhum que transparecesse que eu fiquei balançada, mas eu também não tinha certeza disso.

Ele disse:
Oi.
Eu disse:
Oi... A quanto tempo!
Pois é, tudo bem?
Tudo na paz e com você?
Levando...
(Silêncio)
Ficamos nos olhando, sem ter o que dizer; já fazia muito tempo depois do último encontro, da despedida. Ele tentou conversar mais uma vez:
Está aqui a passeio?
Não, trabalho. É, eu tenho que ir agora.
Ah, tudo bem. Eu também.
Tchau Pedro. Cuide-se!
Tchau Laura. Cuide-se!

Saímos da padaria seguindo lados diferentes. Não olhei para trás, tinha medo que ele também olhasse. Andei depressa, até dobrar a esquina, cheguei ao hotel, subi ao meu quarto, sentei e pensei. "Pedro, Pe-dro" foi o que eu fiquei repetindo, fazia anos que não dizia esse nome. Tinha até esquecido o que eu tinha ido fazer na padaria. Continuei repetindo "Pe-dro, Pe-dro". Adormeci, para ir embora no dia seguinte.


[Erllen Nadine]


maio 21, 2010

Uma vez amei

Se eu morrer muito novo, ouçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentil com o sol e a água
De uma religião universal que só os homens não tem
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma
Nem procurei achar nada
Nem achei que houvesse mais explicação. [...]
Não desejei senão estar ao sol ou a chuva
Sentir calor e frio e vento
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal não são tão verdes para os que
São amados. Como para os que não são.
Sentir é estar distraído.


07/11/1915

(O Eu Profundo e Os Outros Eus - Fernando Pessoa)

Ela



Ela tinha um olhar singelo
e um sorriso partido.
Ela não queria nada,
de uma forma teve tudo
e depois tudo faltou.
A garotinha dentro dela estava com frio,
mas ela não entende, porque não
sabe o que é sentir.

maio 08, 2010

"Você sabe."

E. N. e M. F.

(...)
E. N. — Ele disse "você sabe". Eu não sei o que ele está falando. O que é que eu sei?
M. F. — Esquece isso.
E. N. — Já dizia Caio Fernando Abreu "passaram-se meses, ela não o esquecia".
M. F. — Já dizia Caio Fernando Abreu "eu vou dar na sua cara".
(Gargalhadas)
E. N. — "Quero esquecer completamente, sei que nunca esquecerei".
M. F. — Você vai esquecer... Eu consegui esquecer.
E. N. — Porque não era amor. Isso é amor?
M. F. — Era amor sim. E eu aprendi com isso.
E. N. — Se aprendeu, por que entrou na mesma rua sem saída de novo?
(Silêncio)
(...)

Uma conversa entre dois melhores amigos, sobre amores mal bebidos e à base de vodka. Hoje.

maio 07, 2010

Devaneio


"Sonhei. Há muito tempo não sonhava."
(Caio F.)

Sonho em 27 de janeiro de 2010.

Eu entrava em um ônibus, que me levava para qualquer lugar. E assim que eu entrei, ele estava lá, sentado, me olhando, esperando por mim. Foi reconfortante e ao mesmo tempo assustador, eu não esperava encontrá-lo. Sentei-me ao lado dele e começamos a conversar; eu tive a impressão que estávamos andando em círculos. Tocamos naquele assunto, de tempos atrás, mas que ainda estava no meu presente. Lembro-me dele desabafando, dizendo que tinha sofrido muito por não me ter por perto. Então com lágrimas nos olhos, eu falei o que tinha feito:
— Eu fiz cortes nos meus pulsos.
E ele com um tom de tristeza perguntou:
— Mas por que você fez isso?
— Eu tinha perdido você, e eu precisava sentir alguma dor mais forte do que a dor que estava no meu coração.
Quando terminei a frase, ele começou a chorar nos meus braços, sem medo, sem mágoa, chorou e chorou; era a maneira que ele demonstrava amor e sinceridade.



"Comecei a subir pelo meu quarto, procurando por ele. Acordei."

(Caio F.)

Senta, e toma um café


"(...) Traga-me flores todas as vezes que vier me visitar Girafales, 
agora conte e reconte o número de pétalas destas, 
que sejam de números pares, por favor, não me arrisco ao mal-me-quer."

(Júlia Gadêlha)

Lixo e Purpurina

"7 de maio
Pelo menos estou vivo. Em movimento, andando por aí, perdendo ou ganhando, levando porrada, passando fome, tentanto amar. "De cada luta ou repouso me levantarei forte como um cavalo branco", onde foi que li isso? Sei: Clarice Lispector, meu Deus, foi em Perto do Coração Selvagem."

(Ovelhas Negras - Caio F. Abreu)

maio 01, 2010

Uma promessa de amor

Ele nunca tinha feito promessas, não queria que ninguém esperasse algo dele, assim como não esperava nada de ninguém. Não queria dizer que ela era diferente, apesar de que era; não dizia por que o diferente acabava sempre se tornando igual. Mas ela não era qualquer uma. Ela era única. Estava em um restaurante qualquer, de uma cidade grande qualquer. Lá fora, milhares de pessoas com seus cotidianos, com seus problemas, com suas soluções; morte, vida, egoísmo, alegria. Lá dentro, dois jovens, amor, amizade, afeto, medo. E não importava o que iria acontecer daqui para frente, se um dia iria acabar; porque de fato, para eles nunca acabaria.
Ele — Aconteça o que acontecer, sempre vou te amar. Prometo.
Ela — Aconteça o que acontecer, sempre vou te amar. Prometo.

Erllen Nadine

Sol



"Se tentarmos lançar olhar agudo ao sol (...),
perderemos por excesso de luz, a luz que temos."

(Ato V, Cena II;
Trabalhos de amor perdidos - W. Shakespeare)

Se perguntarem por mim

M. F. e E. N.

"Se perguntarem por mim, diga que fui procurar-me em algum lugar sereno, onde a lua alumia tudo e o sol nos faz ver estrelas. Diga que estou em uma corrida, uma busca constante pelo sentido certo da vida e que, por mais que deveras tenha tanto procurado, nunca hei de parar-me em um lugar, cansado. Não encontrei uma morada plena, pousada certa. Amores são inconstantes... paixões vem e vão e passam por mim, como o vento, seguem adiante... E eu nunca estanco. Sou um poeta."

(Marcos Freire)
O pior melhor amigo que já tive. <3