31 março, 2010

Cornerstone


"Pensei que tinha te visto no "Battleship", mas era só uma sósia, ela era só uma ilusão de ótica, sob a luz de atenção. Ela estava perto, perto o suficiente para ser um fantasma, mas minhas chances se foram, quando perguntei se eu podia chamá-la pelo o seu nome. Pensei que tinha te visto no "Rusty Hook" aconchegada na cadeira de vime (...) Ela estava perto e me pegou firme, até que eu perguntei terrivelmente educadamente: "Por favor, posso te chamar pelo nome dela?" (...) Pensei que tivesse te visto no "Bico do papagaio" (...) Estava perto, tão perto que as paredes estavam molhadas, e ela escreveu em Letraset: "Não, você não pode me chamar pelo nome dela". Me diga onde é o seu esconderijo, estou preocupado que vou esquecer seu rosto, e eu perguntei para todo mundo, estou começando a achar que te imaginei o tempo todo. E eu prolonguei minha carona para casa, sim, e deixei ele ir pelo caminho mais longo. Senti seu perfume no cinto de segurança, e mantive os meus atalhos para mim mesmo. Eu vi sua irmã no "Cornerstone" no telefone (...) Quando vi que ela estava sozinha, pensei que ela poderia entender, ela estava perto, não dava para chegar mais perto. Ela disse: "Eu realmente não deveria, mas, sim... Você pode me chamar do que você quiser"."

(Cornerstone - Arctic Monkeys)

30 março, 2010

"Ele mexe comigo, esse garoto. Sempre. É sua única
desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar."

(A menina que Roubava Livros - Markus Zusak)

29 março, 2010

Derradeira possibilidade

"Não me venha dizer que a natureza não é um milagre. Não me diga que o mundo não é um conto de fadas. Quem não percebeu isso, talvez só chegue a compreendê-lo quando a história estiver chegando ao fim. Porque, então, nós temos uma derradeira possibilidade de tirar os antolhos, uma derradeira possibilidade de nos entregarmos a este milagre do qual temos de nos despedir, o qual temos de deixar."

(A Garota das Laranjas - Jostein Gaarder)

28 março, 2010

Insônia



A janela está um pouco aberta, apenas a luz da lua clareia o quarto e eu sinto uma leve brisa de inverno, já é madrugada e eu não consigo dormir; eu fecho os olhos, tento não pensar em nada, o que é impossível, e de novo e de novo, me sento na cama, depois levanto e ando devagar, bebo água, volto a me deitar, mas o sono continua sem chegar. Pego papel e lápis para escrever qualquer coisa, jogar para fora sentimentos, cuspir em cima deles, depois rasgá-los; mas os rabiscos podem até ser rasgado, o sentimento não. Vem tudo para perto de mim: Você, seu riso, sua voz, as ilusões, delírios, menos minhas noites bem dormidas. Se alguém encontrar meu sono vagando por aí, por favor, o manda bater na minha porta.

Erllen Nadine

Parecia com ele

"Por vezes, na rua, alguém de costas parecia com ele. Parei de trabalhar. Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse. Mas ele não voltou, eu não voltei."

(Onde Andará Dulce Veiga? - Caio F. Abreu)

Meninas

"[...] A menina disse para a Rute que era preciso escolher um detalhe da sua vida, em torno da qual o Universo se organizaria. Cada pessoa precisava escolher um momento, uma coisa, uma espinha no rosto, uma frase, um veraneio, um quindim, uma mancha no teto - um lugar no Universo em que pudesse ser encontrada, era isso.
— Pirou - disse a Rute."

(O Melhor das Comédias da Vida Privada - Luís F. Ver!ssimo)

Para você nunca esquecer de mim



Uma estrela do mar, uma estrela do céu, uma carta com frases bonitas, um beijo com gosto de saudade, um abraço feito de amor, um 'sorriso mudo' cheio de vida, sonhos, um pedaço da primavera, as lembranças da infância. Junto tudo em uma caixinha e te dou, para você nunca esquecer de mim.

[Erllen Nadine]

27 março, 2010

Quando o céu transborda

Quando chegou à noite, o céu estrelado começou a desaparecer. E ela já imaginava o que ia acontecer; toda vez que o céu transbordava, as cicatrizes voltavam a abrir. Sentiu o coração dilacerar, aquele velho coração que um dia foi roubado, mas que o devolveram em pedaços. Ah! menina, só ela mesmo é que poderia fazer algo para conter as emoções. Decidiu sair na rua, só assim as lágrimas se camuflariam na chuva; saiu correndo, procurando achar alguma estrela, desejando... Qualquer estrela.

Erllen Nadine

Mas ele preferia outra


Ele preferia Punk Rock, ela preferia Indie Rock. Ele preferia histórias sobre psicopatas, suspenses de cortar os pulsos, ideologias. Ela preferia histórias de amores mal resolvidos, amizades interrompidas, realidades inventadas. Ele teve uma paixão, ela nunca admitiu sentimentos. Ele acreditava e fazia planos; ela deixou de acreditar, mas talvez quisesse fazer parte dos planos dele. Talvez ele preferisse se afastar das pessoas; talvez ela preferisse se aproximar das pessoas, para observá-las. No entanto, entre várias diferenças, talvez não houvesse pessoas que se parecessem tanto como eles dois, que contradição. E ela o preferia, mas ele preferia outra.

Erllen Nadine