junho 15, 2010

Depois de Junho

"Era preciso que fosse um momento absolutamente perfeito. — Ele foi dizendo, uma tarde afinal de Junho. Ela esperava, ele respirou sete vezes, profundamente. Eu não consigo entender nada do que se passa meu amor secreto, meu amor calado." (Caio F.)

Foram muitos desencontros, então em uma manhã quente de junho, finalmente nos encontramos, em um dia que parecia que nada ia dá certo, e só deu certo, porque fomos contra o destino. Vi ele seguindo em minha direção houve o encontro de olhares, um abraço apertado, conversas paralelas, uma piada boba, minhas bochechas vermelhas. E depois de junho, "fomos levando assim, que o acaso era amigo do nosso coração", e morando em cidades diferentes, não muito distantes, nos víamos quando dava certo. De repente, os sentimentos foram aumentando rapidamente, eu ficava pensando nele, então ele sonhava comigo; eu lia os pensamentos dele, então ele plantava afeto em meu coração. Era amor? Não sei! O que é amor?! Seja lá o que sentíamos ou não, foi cada vez crescendo; até aparecer aquilo que damos o nome de: Medo.

"— Tanto medo, você me entende? Mas ela não sorria nem movia músculo algum no rosto." (Caio F.)

Então aconteceu um erro. E no outro dia não era mais igual.
— "Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.".
— Eu sei [...] (Ninguém disse o final da frase, sabíamos bem como era).

E quando eu relembro do fim, que não foi em junho e também não era mês dos leoninos, as palavras ficam rodando na minha memória. É triste, dói, quando a distância parte ao meio, dois corações que eram um só. E mesmo que eu tivesse a chance de voltar a junho de 2009, exatamente um ano atrás, e não te encontrar... Eu te encontraria da mesma forma, mesmo sabendo do fim. Porém, algumas coisas eu mudaria: abraçaria-te mais, te beijaria mais, te daria mais sorrisos, não te deixaria nunca ter medo, eu não teria medo, medo de dizer que te amava.

"E acabava assim, ainda que não fosse absolutamente perfeito, chovera demais nos últimos meses. Era uma pena, todos nós sentimos muitíssimos, mas que há de fazer se acaba mesmo assim?" (Caio F.)

Depois daquele junho, eu nunca mais fui a mesma.

Erllen Nadine


Ao som de "Último Romance" (Los Hermanos)

Carta a Ane Gabriela

Na foto: Ane Gabriela.

Mossoró - RN, 12 de Junho de 2010.

Cravo e canela, minha querida Gabriela

Fiquei pensando em nossa rápida conversa, imaginando como você está aí do "outro lado", queria poder dizer algo para secar o rio na sua face. Também pensei no que você me disse: "Tente amiga, tente ser feliz, tente mais uma vez, tente até o fim!" Mas eu não sei se tenho tanta força quanto você, não sei se consigo, entende? Porém, eu tenho fé, um dia em qualquer lugar, de frente para o mar, pode ser? Natal, Maceió, não importa; vamos sentar e rir disso tudo, rir! E mesmo que alguma lágrima queira cair, você não vai deixar, eu não vou deixar. Porque no fim de tudo, todos os delírios, todas as desilusões, vão dá uma tapa nas nossas caras, para acordarmos desse pesadelo.
É difícil mudar o disco, principalmente quando é o nosso disco favorito, e quando ele quebra, e não dá pra colar, e nem adianta comprar outro, porque o valor sentimental não vai ser o mesmo, o que temos que fazer é guardá-lo com carinho em um lugar que ninguém ache. Você sabe do que estou falando. E agente não pode desistir de nós mesmo também, né?! Apesar de todas as quedas, a vida é bonita, e há muita gente depois das paredes.


E te cuida, por favor! Tô te esperando
de frente para o mar... Abraço forte,

Erllen Nadine


"Ah Força do que Existe, ajudai-me, vós que chamam de o Deus."
(Clarice Lispector)


junho 12, 2010

Hoje...


... meu dia de fumar alguns cigarros, beber martini, chorar lembranças, sangrar saudades, ler as cartas que nunca te enviei, tuas mensagens que nunca apaguei, ouvir nossas músicas, fingir que está tudo bem. Rezar e dormir. E se eu tiver algum pesadelo, prometo não te ligar.

E.

"Volta prá mim, vem pro meu mundo,
eu sempre vou te esperar."
(Os Paralamas do Sucesso)


Para aqueles que continuam remando, Feliz Dia Dos Namorados. :*

junho 09, 2010

Era quarta-feira...

Era quarta-feira (de cinzas?). Você ia embora e eu não poderia fazer nada. Você olhou profundamente para mim, desviei o olhar, quando tive certeza que você percebeu o quanto eu estava triste. Esperei com você, até a hora que o ônibus chegasse, até você partir. Ficamos conversando bobagens, algumas tentativas inúteis para sorrir. Contei os minutos para que o ônibus não chegasse, 'não hoje, não hoje, não agora'. Nenhuma prece e nenhum dedo cruzado adiantaram. Você deu um beijo na minha bochecha rosada e um abraço apertado; pouquíssimas palavras, que eu não ouvi direito. Sei que você sabia o quanto eu chorava por dentro, e só chorei por fora, quando você virou as costas, entrou no ônibus, e eu nunca mais te vi.

E não houve mais palavras, nem beijos na bochecha ou abraços apertados; houve uma distância imensa, cercada por silêncio e saudade, de dois estranhos que tentavam se conhecer. Duas pessoas tão diferentes, que tentavam ser iguais.

Erllen Nadine


Ao som de "We Might As Well Be Strangers" (Keane)