28/11/2010

I - das cartas que não são enviadas

Bem meu, para você, meu bem.

Já é tarde e não consigo dormir, te escrevo para te lembrar de "nós", ou para fingirmos que havia "nós". Te escrevo porque não me suporto, não suporto "eu" sem "você". E esses dias sem vida e sem fim. Não suporto minha risada sozinha. Lembra quando nossas risadas se entrelaçavam? Eu não sabia mais qual era a minha, nem qual era a sua. Sei que não preciso escrever muito. Você me entendeu. Sim, é um pedido de socorro.


Erllen Nadine

24/11/2010

Sem Ana, sem sorrisos

"Ela era um anjo, e os anjos não pertencem a Terra." (Caio F.)

Para Anatália C. F. H.
e os 6 anos de sua ausência.

Como se diz para uma menina de 12 anos que sua melhor amiga teve que ir ser um anjo? Inútil traduzir respostas. Tenho em mim, uma cicatriz que nunca fechou; sinto uma dor, que não existe tempo que cure.

Me lembro bem de você: seu sorriso, sua voz e doçura, seu cabelo castanho claro; das tardes que passamos juntas. Quando fecho os olhos, lembro de nós voltando um dia da escola, tomando banho de chuva, sem nos importarmos com os cadernos; quando abro os olhos, lembro que eu cresci sem você, e sinto falta de tudo que não vivemos juntas.

Dentro de uma caixinha de madeira, eu guardei um desenho, poemas e folhas de um antigo caderno, que entre tantas coisas você escreveu: "Erllen, seja sempre assim, sincera e brincalhona... eu quero que você seja muito feliz... Jamais estará sozinha um segundo. Não vou colocar data, para não virar passado. De sua amiga de hoje e sempre, Anatália Cristina".

Você é a maior saudade que eu tenho, sei que está me protegendo e que você está muito bem. Também sei que ainda vou te abraçar, eu te amo e você jamais sairá do meu pensamento. Obrigada pelos anos da nossa infância que passamos juntas, pela descoberta da amizade.

Sua eterna melhor amiga de infância,
Erllen Nadine.

"É tão estranho, os bons morrem jovens,
assim parece ser, quando me lembro de você,
que acabou indo embora cedo demais...
Eu aprendi a ter, tudo o que sempre quis,
só não aprendi a perder, 
e eu que tive um começo feliz..."
(Legião Urbana)

17/11/2010

A bailarina e o astronauta

Vai me amar amanhã?

(Porque se não for, me diga antes que eu aprenda a ler seus pensamentos, que eu saiba qual a música que você escuta antes de dormir; antes que o seu filme preferido torne-se o meu também. Diga-me antes que o seu perfume cole no meu corpo, para eu não senti-lo em todos os lugares; antes que eu deite na maciez dos seus lençóis, para evitar que eu tenha insônia e perceba a ausência ao lado. Me diga antes que eu saiba dos seus problemas, para não torna-se meus também; antes que eu saiba as ruas por onde andas, para eu não te perseguir loucamente de amor e com pedaços de coração e sonhos nas mãos)

Amanhã, depois de amanhã. E sempre.

Fez a pergunta várias vezes, sempre obtendo a mesma resposta.

Erllen Nadine

Título: música da Tiê.

11/11/2010

Sem ponto final

Na foto: Dayanne Támela, por: Erllen Nadine.

Há frases erradas, saudade acumulada,
há pontos de interrogações e silêncio como resposta;
há canções, vírgulas e exclamações do que se sente sem saber porquê;
o tempo parou, para que o seu cheiro ficasse por aqui, por aí. ai!
Como dói não mais te ter e não saber de tudo ou nada que te acompanha;
só não há um ponto final para esse amor que insiste em viver

Erllen Nadine

Ps: Sumi, sem deixar pegadas na areia;
tô voltando, pra escrever teu coração