27/03/2011

Um ano do Blog

Aqui, deixei subentendido ou não todos os meus amores, quem eu nunca quis perder, quem eu não queria ter. Teve Junho com gosto de encontro, e Setembro, de fim. Contei do sonho bonitamente triste que eu tive, aquele que eu o via e falava dos cortes. Muitos souberam do sonho, mas apenas um, soube que os cortes de fato aconteceram. Entre tantas conversas, teve a que nunca foi dialogada. Ouvir corações não é fácil, talvez por isso, eu queria que naquela noite o sol não acordasse. Me perguntaram sobre o amor, sobre esquecer; são das perguntas que eu temo em responder. Cigarro, cerveja, aquela menina, me ensinou que poderíamos ser a mesma. As pessoas mudam, as estações também, eu tenho um verão que nunca vai acabar. Já senti saudade da parte da infância que não tive, fiz cartas e não as enviei, fui embora e não voltei; rezei para Deus me ensinar a chorar, pedi ajuda para o tempo passar. Podem roubar as palavras de mim, mas os sentimentos que tem nelas, sempre estarão comigo. Sempre.

Erllen Nadine,
do coração enjaulado.


P.s.: Hoje também é aniversário do poeta Renato Russo.
P.s. 2: Obrigada a todos vocês que habitam meu sorriso (mudo). E aqueles que me incentivaram a fazer o blog: Dayanne ("a pessoa mais parecida comigo que eu conheço, só que do lado do avesso"), David (o que me faz rir quando tô de tpm ;x).

20/03/2011

Sentimento maior

"Volte e invente uma despedida, vamos fingir que tivemos uma." 
(Joel Barish)
Sessão II - Laura e Pedro

Nas manhãs seguintes, Pedro ainda conseguia sentir Laura beijando-lhe, enquanto acariciava os fios de cabelos meio crespos da nuca, para acordá-lo. Mas quando abria os olhos, ela não estava lá, nenhum vulto sequer.


Conheceram-se numa praça. Ele tirava fotos sei lá de quê, (quase) sem querer a fotografou. Ele perguntou o nome dela, ela perguntou o signo dele. O que para muitos seria bobagem, deixou ele encantado - ninguém costuma fazer esse tipo de pergunta. Um fotógrafo inexperiente, uma garçonete querendo aposentar-se; sentiram necessidade um do outro.

No final do dia, Pedro abria a porta com uma chave de esperança, olhava em volta, o açaí continuava intocado, a bagunça acomodada, nenhuma pista ou bilhete. "Ela tem a chave" pensava, "ela vai voltar" pensava sempre; com tanta certeza, que qualquer barulho a imaginava. Já não sabia o que fazer, com tanto sentimento, maior que ele.

Erllen Nadine


I

18/03/2011

Me despeço, me despedaço

Sessão I - Laura e Pedro

Antes que Pedro chegasse, Laura escreveu rapidamente:

Para aguentar o cotidiano, imagino você cantando: "Deus sabe o que eu quis foi te proteger, do perigo maior que é você". Sou toda ao contrário. Bruta, quando deveria ficar quieta; fraca, quando deveria suportar a verdade. Minha covardia é tal, que te escrevo, porque não consigo te enfrentar. Me desculpa pelo meu péssimo café, pelo meu péssimo hábito de cortar vínculos. Eu sou assim a vida inteira.

Me despeço, me despedaço.

L.

Foi embora, sem choro, sem hesitar, sem saber aonde ir.
As palavras, rasgavam ele todos os dias.

Erllen Nadine


"E se numa esquina qualquer eu te vir, será que você vai fugir?"
(Los Hermanos)


11/03/2011

Lembranças


Meu nome é Lembrança; o seu dia de hoje, amanhã será (m)eu. Às vezes sou má, prefiro ser boa. Eu ando com a infância que você quer de volta. Eu ouço os discos da sua mãe que você quebrou. Sou infiel a todos os seus amores que você nunca traiu. Vivo de lugar em lugar, nas marcas do seu coraçãome alimentando de devaneios, sorrisos, tristezas, luzes e sombras. Alguns pensamentos não querem me encontrar; outros, vivem pra me amar. Sou o que sobrou na mente, a invenção dos sonhos, a cicatriz que corrói; tenho sabor de beijo e cheiro de fim. Sou o resto do 'eu te amo', o choro nas noites de solidão, a companhia nos dias de saudade. A pior e a melhor parte do seu passado. Sou você, em forma de memória.

Erllen Nadine

"Na parede da memória, esta lembrança é o quadro que dói mais." (Belchior)

08/03/2011

"Somos mulheres, não apenas corpos; temos cérebro, não apenas seios." (Cosmogonia)

Mia Zapata, ex vocalista da banda punk/grunge The Gits. Vítima de violência sexual e assassinato aos 27 anos, em 1993.

Você ainda pensa que mulher é sexo frágil? Se você tivesse a oportunidade de perguntar isso a uma mulher negra marcada a ferro quente na escravidão, a uma indígena explorada pelos portugueses e esquecida pela história, ou a uma mulher branca que era obrigada a casar e procriar. Ou perguntar até mesmo nos dias de hoje, as mulheres que (sobre)vivem em países nas quais elas não podem guiar automóveis ou podem ser mortas se transar antes do casamento. Nenhuma delas diria que a mulher é sexo frágil. Assim como o homem, a mulher também sente. O que somos e conseguimos até hoje, foi devido as muitas lutas. Mas, infelizmente nossa realidade ainda é de preconceitos e violências. "No Brasil, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas. 8% dos homens assumem agredir a companheira"*. De cada 5 mulheres, uma será vítima ou sofrerá tentativa de violência sexual, segundo a Anistia Internacional, 2004. Queremos andar nas ruas sem ter medo.

Somos diferentes no gênero, somos iguais na dignidade.
Não se submeta, subverta-se!

Erllen Nadine

"Sou mais macho que muito homem." (Rita Lee)
"[...] Bonita, apenas pelo fato de ser mulher." (Clarice Lispector)
"Não deixe que os seus sonhos, se tornem lembranças de uma dona
de casa passiva e submissa." (Bulimia Punk Rock)
"Se você tratar uma garota como um cachorro,
ela vai mijar em você." (Courtney Love)
"Se não posso dançar, não é minha revolução." (Emma Goldman)
"Toda menina é riot grrrl**.
Acabe com a violência masculina." (Dominatrix)



*Fonte: O Estado de S. Paulo - 21/02/11.
**Riot Grrrl: Movimento de bandas punks e feministas no início dos anos 90.

06/03/2011

Restos (todo carnaval tem seu fim)


"Foi bom te ver outra vez, tá fazendo um ano, foi o Carnaval que passou. 
Eu sou aquele Pierrot que te abraçou e te beijou meu amor." 
(Zé Keti e Pereira Matos)

Para aqueles, que também já foram Pierrot

Não te conheci no Carnaval, mas te reencontrei em um. Enquanto a gente falava do nosso passado, nossas máscaras caíram. Eu fingi te conhecer, você fingiu me amar. O que aconteceu naquele Carnaval permaneceu por lá; a única certeza do outro dia, é que era de cinzas, nossas cinzas. A euforia foi embora com nossos restos e qualquer laço que trouxesse outra aproximação. Veio a tormenta. Nunca mais nos vimos.

Tive que aprender a deixar de procurar máscaras,
com o formato do seu rosto.

Erllen Nadine