27 julho, 2011

Pra mostrar que ainda sou tua

Sessão VIII - Laura e Pedro

(...)
Para quebrar o silêncio e o olhar de angústia, o cansaço de Pedro disse: — Eu tenho que ir embora. Já é tarde. Já falamos tudo e ao mesmo tempo nada, não importa mesmo, seguimos em frente e estamos bem. - Sem pensar se seria rejeitada ou não, Laura pediu: — Não vá! Fique aqui, por favor. — Não posso. É injusto comigo, e com ela também. Laura, eu vou me casar.

As últimas palavras que Pedro pronunciou doeram mais do que qualquer espera ou despedida. Laura deu um passo à frente, ele não se moveu. Os olhos dela começaram a lacrimejar. Ele continuou dizendo: — Perto ou longe, você conseguiu enlouquecer-me. Nem sei ao certo o que sinto. É amor? Mas o que é amor? — Não sei. Amor deve ser muitas coisas ou só uma, a própria loucura quem sabe. Só sei que eu sou a pessoa menos indicada para responder essa pergunta. - Sorriram, cada vez mais perto um do outro, até que ele disse baixinho: Nunca vi você chorar.

Ela então o beijou. Ele a beijou também. A vontade de tê-la era mais forte do que qualquer ferida do passado ou vínculo do presente. Cada suspiro entre eles era como dizer "eu nunca vou te esquecer". E assim, deixaram seus corpos em brasas, tornarem-se um só.

"Me debrucei sobre teu corpo. Te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, no teu peito. Sem carinho, sem coberta, no tapete, atrás da porta." (Chico B.)

(...)

Erllen Nadine

Aqui ó: VII, VI, V, IV, III, II, I

17 julho, 2011

Pra sujar teu nome

Sessão VII - Laura e Pedro

"... Te humilhar. E me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso."
(Chico Buarque)

— Posso acender um cigarro?
Foi à primeira coisa que Pedro disse ao chegar à casa de Laura.

Um dia antes, eles reencontraram-se. Ele estava lá a trabalho, ela a passeio. Numa cidade distante de onde tudo terminou, ou seria: começou? Pedro a viu entre pessoas e conversas. Era ela? Sim, era Laura. Os olhos verdes de Laura guiaram-se para a esquerda, encontrando-o. Ela engoliu no seco toda uma vida que deixou para trás, enquanto o coração dele dava pulos. Trocaram poucas palavras. E como dois amantes, combinaram-se indiretamente que queriam se ver, quem sabe tomar uma dose de qualquer coisa.
— Tem cerveja, você quer? - Perguntou Laura. Pedro aceitou, e logo em seguida, disse: — Eu nem sei ao certo porque estou aqui. — Talvez você tenha perguntas e eu tenho as respostas. — Não Laura. Por muito tempo eu esperei por isso, quis saber os motivos. Mas não importa mais o porquê de você ter ido embora. — Queria que tivesse sido diferente, mas não foi. Eu só tinha 19 e nos meus bolsos só havia sonhos. Não queria me prender ou depender de alguém. Eu queria ser livre e ir buscar o que eu desejava.
A verdade é que Pedro queria a ouvir dizer que estava arrependida, mas ela não estava. Ambos tinham refeitos seus caminhos. Ele agora era noivo. Ela terminou a faculdade e era uma ótima professora de inglês. E por mais que se desprendessem do passado, sempre sobrava algo.
Passaram muito tempo falando sobre o que não mais voltava. Perdendo-se entre a cerveja e as palavras que viravam cinzas. Até que o silêncio pairou.
(...)

Erllen Nadine

Outras partes: VI, V, IV, III, II, I

10 julho, 2011

ele


"Me pede pra ficar, me pede pra cuidar, de você." (Moptop)


Ele entra sem pedir licença, porque não é preciso.
Deixa o tênis sujo na porta.
Quando se atrasa, vem com um pedido de desculpas e um
"eu te amo" no final da frase. Para alargar sorrisos,
ele dança em frente a tv ou em cima da cama, ao som de Smiths.
Quando penso em desistir de nós, ele enxuga a lágrima do meu olho.
Eu me derreto com aquela quase barba...
Ele invadiu meu coração e acomodou-se no meu corpo.


Erllen Nadine

02 julho, 2011

Quando vi Marcelo Camelo

(filho de sol poente, filho da eternidade)
18/06/2011 - Fortaleza/CE


o encanto fez nascer o ele-lírico nos olhos,
o tom e as palavras davam arrepios
que começavam por dentro e espalhavam-se
pelo corpo

só havia o doce, não mais a solidão
e a vida confundia-se com a eternidade

não havia dilemas, só poemas,
Deus e o que era novo

no fundo, tudo se fundia
em toda canção que havia amor.

Erllen Nadine