junho 21, 2012

Memórias de uma tarde azul

Amanda Mason 

Há um lugar no meu coração que visito às vezes, você está quase sempre por lá, junto com algumas canções, longas risadas e pedaços de junho que o tempo não levou. Eu escrevi muitas cartas em pensamento, cada uma tinha um destinatário: um pai que não existiu, um desconhecido que foi chamado erroneamente de amigo ou um amor que virou silêncio. Nenhuma carta tinha endereço. O destino trilhou um rastro de saudade, que eu fui guardando nos espaços vazios que se formaram antes e depois de todas as despedidas. Cada um de nós escolheu uma estrada, que não chegou a lugar algum. 

Era um fim de tarde com todos os tons de azuis quando te visitei. Vi-te entre os ipês, de cabeça baixa e cigarro na mão. Não houve explicações ou sentimentos, só foi dito o necessário para lavar a alma.
 É bom te olhar (e me segurar para não cair em seus braços).
 É bom te ver assim, sorrindo (e não sentir aquela intimidade perturbadora).
(...) 

Todo o âmago que existia entre nós me fez entender que era preciso te deixar partir. Finalmente, eu tinha aceitado nosso quase amor. O quase soava como uma metade, mas tinha doído como um inteiro. Compreendi todas às vezes que fugimos um do outro, porque o amor era grande demais para nossas cucas confusas. 

Era só outra tarde, que tinha ficado tarde demais. Para te deixar partir, o azul virou cinza. Nunca mais te visitei - nunca mais voltei para dentro de mim. 

Erllen Nadine