30 janeiro, 2013

(trans)bordando saudade


Para Anatália

Você amou loucamente aquele garoto, que te encorajou a suportar os dias difíceis. Decepcionou-se, sofreu e chorou na minha frente quantas vezes foram precisas. Voltou a amar, foi tão feliz, que dividimos a felicidade com um pote de sorvete em um sábado à noite. Ficou bêbada quando passamos no vestibular, enquanto eu ria sem parar, você vomitou nos meus sapatos. Cortou o cabelo, deixou mais loiro, usou batom vermelho. Assistimos os clássicos, compramos discos e ouvimos as histórias da minha avó.

Isso nunca aconteceu.

Um dia você entrou no ônibus errado e ele foi partido ao meio por outro. Partiram seus sonhos, seu destino, o coração da sua mãe, nossas vidas.

Não chegou aos dezesseis, não fez vestibular, não amou loucamente.

A morte não pede licença. A vida não para pra gente recolher os cacos de nós mesmos. Fica tudo pelos nossos caminhos, para serem levados pelo vento aos poucos. O mundo continua a girar, o dia amanhece, mas você não. 

Um dia eu me deparo chorando ao lado de desconhecidos, escrevendo essas coisas em pensamento, tentando entender o porquê de nunca se despedir - jamais teremos um fim. Você é meu sonho bonito que me abraça quando eu mais preciso. 

Com todo meu amor, eu