novembro 26, 2014

Anatália


Você se foi há dez anos, desde então me sinto perdida, uma estrangeira nisso que chamam de vida. Desajustada e sozinha. Nos primeiros anos, eu desejei arduamente durante noites e noites insones poder voltar no tempo e impedir sua partida, ainda desejo. Meu coração se divide: numa saudade infinita, seu sorriso doce e intacto, na minha dor de existir. E ainda espero outro sonho com você, daqueles que sentirei seu abraço ao acordar, tão forte e real. Não importa quanto tempo passe, pode chegar aos 50, 80 anos, chorarei como se tivesse 12, doerá como se fosse agora, e continuarei te amando como sempre amei. 



"Enquanto eu respirar vou me lembrar de você." (O Teatro Mágico)

novembro 17, 2014

It's time for a change of heart

parte II do fim

Amores esquecidos, mas guardados no lado frágil do coração. Desenhados no papel, os que bagunçaram e confundiram a beleza da imperfeição. Amores inacabados, separados por cidades, ruas que não se encontram, escolhas, destino. Os que doeram, e ainda assim viveríamos tudo de novo. 

Sou grata por você não ser nenhum deles, por não fazer parte de alguma história pela metade... Se fizesse, eu não seguiria em frente, continuaria te amando e te esperando no meio do vazio, como fiz todos esses anos. 

O que existe entre nós é o fim, bem passado e nada mais. Não há perguntas, silêncio, futuro, mal entendidos, saudade, perdão. Eu sigo, feito passarinho livre da gaiola. Estou livre e completa. 

Você foi o primeiro de abril mais longo que já tive... Tão amargo rapaz. Eu não posso ficar com você porque sou muito intensa para me contentar com suas migalhas de sentimentos. Ou ama por completo ou não tente amar. 

Você tem razão, eu não sirvo para você, porque você é você, e eu não gosto de covardes e desalmados. Meu coração selvagem está cansado de amores brutos. 

Nadine

"Estou indo muito bem sozinha, 
porque sei agora que isso é o certo para mim.
Tive que salvar meu coração, 
salvá-lo de todos os seus jogos maldosos.
Amarro as cordas do meu coração, 
eu desamarro as cordas do meu coração."

Título: Interpol.

novembro 06, 2014

Cajuína

Mossoró - RN, 08 de Setembro de 2014 

bem meu, para você meu bem

      Sou péssima com inícios, assim como em finais, não apenas em cartas, mas acho que em quase tudo nessa vida. [...] Tivemos nossas diferenças, alguns afastamentos, que talvez tenha sido necessário e que de alguma forma nos fez bem, e agora só você podia me ajudar a encarar dias difíceis. Não esquecerei isso e vou ser sempre grata pelas palavras. 
      Acho que me vejo em você, talvez por sermos um tanto escritoras, porque precisamos rabiscar nossos sentimentos para não sufocarmos, e além da nossa ligação de anos, esse foi um dos motivos que pensei que só você fosse me entender naqueles momento fundo do poço [...]. Se não fosse por nossas conversas, eu teria enlouquecido, e dessa vez, não teria banho frio ou rock'n roll que me salvasse. Nesses momentos, a gente precisa de um amigo, e não importa se você nunca o viu, nunca pôde abraçá-lo e agradecer olhos nos olhos.
       Agora entendo que ter um "coração partido" depois dos 20 é bem diferente de quando temos 16, 17. Talvez seja mais fácil superar, devido ao amadurecimento, aprendizado; talvez mais difícil perdoar. Veja bem, acho que é preciso manter algumas feridas abertas e próximas, temos que anestesiar a dor, mas não podemos esquecê-las totalmente jamais. Só assim para impedirmos que nos machuquem da mesma forma outra vez... Se é que é possível impedir, eu espero que sim.
       Quando me perguntam como me sinto, sempre digo o mesmo: estou bem. Na verdade, estou como sempre estive: os sentimentos à flor da pele, com tanta intensidade que não consigo carregá-los, e por isso transbordo, escrevo. Você também é assim? 
        Amar, não deveria ser um peso jamais.


Te envio essas palavras tortas com muito carinho.
Nadine 


Feliz aniversário, moça! 
"Procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer confusão." 

novembro 02, 2014

Procura-se Pedro


Pedro estava sumido, da banca de jornal, da fila do pão, do botequim da Avenida Dutra. De longe, por várias vezes pensei tê-lo visto naquela esquina, de nada adiantou correr, o perdi de vista, o perdi na vida. 

Dentro da noite, Pedro sumiu. Quarto solitário em tons pastel, o cigarro pós-transa não existe mais.

Mentiras que conto em segredo. Quem sumiu noite adentro fui eu. Quem pegou o primeiro táxi para lugar nenhum. Quem deixou o bilhete mal escrito... Eu.

Procura-se Pedro numa cidade onde ele não está. E o que tenho feito de mim nessa busca? Morrendo um pouco a cada dia, cortando raízes por medo de suas profundezas. 

Pe-dro. Nunca mais te verei em dias preguiçosos. Eu me perdi no instante que te abandonei.

L.

(Erllen Nadine)