20/09/2015

Alain


— Você ainda tem aquelas sensações de angústia?
— Não são sensações de angústia, doutor. É uma única angústia, perpétua. 

— Falam de sinceridade, mas se dedicam a coisas mesquinhas.
— E você?
— Eu? abandonada, arruinada, devastada... inalterável! Eu nunca mudo. Nunca tento compreender. Dormir é tudo em que acredito.

— Eu sou bruto, inepto. A sensibilidade estava em meu coração, não em minhas mãos. Eu não as amo, eu nunca pude amá-las. Não posso tocar. Não posso pegar. Tem que vir do coração.
— E o que você queria fazer?
— Eu gostaria de ter cativado as pessoas, retê-las, mantê-las próximas. Para que nada mais 
se movesse ao meu redor, mas tudo sempre deu errado.
— Realmente ama as pessoas a esse ponto?
— Queria tanto ter sido amado... que eu amo.

Trinta Anos Esta Noite (Louis Malle, 1963)

19/09/2015

Daniele


— O desconforto que tem dentro de si, a sua melancolia sem fim, não consigo suportar.
— Mas você não sabe nada sobre mim.
— Sei o que me interessa saber. 

— Por que a morte é a primeira noite de tranquilidade?
— Porque finalmente se dorme sem sonhos. 

A Primeira Noite de Tranquilidade (1972), de Valerio Zurlini