agosto 13, 2016

Tenho uma guerra na minha cabeça


"Uma dor de pedaços que não voltam. Eu sou muitas pessoas destroçadas."
 
(Manoel de Barros)

De pai, só tive o nome no documento, que eu gostaria de passar corretivo e esquecer para sempre. Quanto a minha mãe, vivemos constantemente em desavenças. Desde cedo, lidando com rejeições; quem dera meu amor fosse o bastante. Os amigos que sobraram estão longe... Fisicamente, sentimentalmente. E pior, cada vez mais eles vão perdendo sua importância. O que resta quando ninguém sente a tua falta e você não sente falta de ninguém? A solidão vira abrigo. Você se acostuma com a sensação de estar sozinha no mundo, que mais nada te preenche, de querer sumir e não ter para onde ir. Juntando isso, as várias decisões erradas ao longo dos anos e o fato do tempo ser irreversível: a mente pesa, destrói aos poucos. A impossibilidade diante da vida, eu varro para debaixo do tapete como se não tivesse a beira de um ataque de nervos.

A dor nunca foi tão palpável. E eu, tão sincera.

Erllen Nadine


Título: Ride - Lana Del Rey. 

agosto 10, 2016

Maktub


"Maktub significa estava escrito, ou melhor, tinha que acontecer." (Oriente)

Eu vasculho canções querendo te encontrar. Escrevo cartas, mensagens, e-mails, que nunca são enviados. Neles, eu digo que sinto sua falta, que te quero tanto que isso fecha qualquer ferida. Eu tento explicar minhas escolhas tortas. E quero saber também, do que você guarda no fundo do coração. 

Sou louca o suficiente para tentar uma reaproximação, no entanto, sou covarde o bastante para desistir no último momento. Tenho medo, medo do que aconteceria se você aceitasse ou dissesse não. Prefiro não tentar. Volto para dentro de mim e escondo tudo que sinto.

Convenço-me que não temos mais tempo, mas acredito porque acredito que o meu destino é o seu. Nossa história sobrevive em mim, é verdadeira demais para me abandonar.

Erllen Nadine

"Ela é Leão, uma estrela. Você é Aquário, o oposto. Sabe aquela coisa, se atraem e repelem? Tudo vai dar certo. Afinal, vocês tem as luas em conjunção... Já devem ter tido algumas encarnação juntos." (Onde Andará Dulce Veiga? - Caio F.)

agosto 01, 2016

Aos (des)amores descartáveis


Já faz um ano ou pouco mais que isso, desde a última vez que escrevi sobre nós. E se não escrevo, é porque não sinto. E por que logo agora? Às vezes as coisas simplesmente vêm à tona. Depois de processar tudo que vivi, percebi que dois anos após o fim, eu tinha algo a te dizer. Mas antes, é necessário esclarecer que foi uma longa caminhada até aqui:

1) sofrimento 2) raiva 3) culpa 4) solidão 5) autorreflexão 6) recomeço [...].

Quando você foi embora, você fez questão de desestabilizar meu emocional o máximo possível. Desse modo, não ouse achar que existe algum perdão, como uma vez você pediu. Eu não sou tão boa assim. Foram passos curtos, até chegar um momento que toda aquela dor para de fazer sentido. Aos poucos, as lembranças iam se distanciando a ponto de eu não reconhecê-las e então, não serem minhas. Não era eu, tampouco você.

Eu consigo lembrar, sem me encher de mágoa, rancor e muito menos saudade dos anos bons. Sim, porque a gente foi feliz, eu pelo menos fui durante alguma estação. A vida não é como meu filme favorito, não se pode apagar pessoas da memória. Ser indiferente a tudo isso é o que sobrou. E por tanto, eu te digo:

Obrigada por partir meu coração, eu precisava disso. Porque era a maneira mais rápida de me libertar daquele relacionamento, que me machucava tanto, mas por excesso de "amor" e ausência do mesmo, eu nem sequer percebia. 

Obrigada por partir meu coração, em mil pedacinhos.

Se antes eu chorava e me desesperava, hoje eu sinto orgulho. Sozinha juntei meus cacos, estou aqui, às vezes perdida e outras dolorida, mas não por você, nem por ninguém além de mim mesma. E essa é a dura lição que carrego: neutralizar o passado o suficiente para viver em paz.

E se não sinto, é porque esqueci.

Erllen Nadine