outubro 02, 2016

- Nem com você, nem sem você.



— É verdade, eu te odiei. Muito, profundamente. Mas não mais. Eu mudei muito, não? 
— Sim, é verdade, você mudou. Era cedo demais. Se tivéssemos nos conhecido agora, talvez tivesse funcionado. 
— Sim, talvez. Mas já nos conhecemos. 
— Não é a mesma coisa. 
— Sabe que está muito mais bela que antes? Sério. Nós éramos jovens demais, agora podemos lidar com isso melhor, não acha? 
— Não, eu não acho. E não estou a procura de nada.  
— Mas nós nos amávamos. 
— Ah, não realmente, fui eu quem te amou. Você estava apaixonado. Não é a mesma coisa. 
— Naturalmente, você disse "eu te amo" porque eu te amava, e então...
— E então, não parecia ser razão suficiente? 

— Eu me casei para me livrar de você, para esquecê-lo. Você me magoou tanto que decidi casar-me com o primeiro que me pedisse gentilmente. 
— Por que não esquecemos tudo e fugimos agora? Tenho certeza que seremos felizes. 
— Oito anos atrás... Você realmente me amava?
— Eu era louco por você, eu te adorava, mas eu preferia me matar antes que você soubesse disso. 
— Você lembra o que me disse, oito anos atrás? E Deus sabe o quanto me doeu ouvir você dizer que: "Todas as histórias de amor precisam ter um início, um meio e um fim."

— Você pode amar ou ser amado uma segunda vez. 
— Mas precisa saber como ser amado. E eu não valho nada. Existe algo em mim que faz com que as pessoas me rejeitem. 

A Mulher do Lado (François Truffaut, 1981)

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."