10 setembro, 2017

Setembro, o tempo e nós

Escrito ao som de nobody else will be there (The National)


Porque é setembro, como uma nuvem pairada nas minhas memórias, daquelas que nunca dispersam.

E por ser setembro, eu sonho constantemente com você, quase sempre acordada. Penso no que estará fazendo, se passou nas provas, pintou o cabelo, se está tudo bem, se já ama outra pessoa. Sinto-me tão estúpida, é como se eu estivesse disposta a me humilhar por qualquer migalha que você pudesse me dar. Um pedacinho de você, uma noite com você. Isso não é triste? É, mas eu não ligo.

Vez em quando olho para trás e sorrio discretamente; outras vezes sigo em frente. Existe esse medo dolorido de encontrar a saudade vagando entre lembranças e não poder fazer nada. Eu me recuso a deixar que o tempo te leve, como se o tempo fosse capaz de consertar qualquer coisa.

Sou incapaz de cumprir uma promessa e por isso aqui estou, mergulhando nas profundezas do seu aquário, tentando segurar em suas mãos inexistentes. Eu aceitei, não foi a condição de ter você só pra mim, foi a condição de nunca mais te ter. Talvez, quando o amor for reinventado, eu não terei mais o que dizer. Até lá, sigo contando os dias.

Porque é setembro e setembro dói um pouco mais, faz parte de tudo àquilo que não vivemos.


Erllen Nadine
Agosto, o tempo e eu 

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."