22 maio, 2010

Encontra-ar

É um conto sobre amores inacabados, a tentativa inútil de esquecer alguém, sobre quanto tempo podemos esperar para reencontrar quem nos marcou, sobre amor e dor, cores desbotadas, "sim e não", sonhos não acordados, planos não realizados.

por trás do olhar de Laura:

O meu dia tinha sido uma correria igual aos outros, eu estava cansada, mas minha reportagem sairia no jornal na manhã seguinte, e por isso eu estava bem feliz. A viagem tinha sido longa, mas valeria a pena pelo meu trabalho. Embora eu tenha ficado com medo, de quem eu poderia encontrar pelas ruas; e o medo só passou, quando de repente eu encontrei.

O sol já estava se pondo, havia uma leve chuva, com aquele frio que eu adoro. Fui a uma padaria, perto do hotel que eu estava. Tinha muitas pessoas por lá, mas quando eu o vi, parecia que só existia ele. Ele estava tão diferente do homem que eu julgava conhecer, tão triste, como se tivesse na lama, com cara de insônia, vazio por dentro e por fora. Eu achava que nunca mais iria vê-lo, pensei em fugir daquele lugar, mas eu estaria sendo igual como um dia ele foi, e eu não tinha nada a temer. Então ele me viu, surpreso, também não estava acreditando; ele sorriu, foi quando eu tive a certeza que era ele, eu conheceria aquele sorriso até no escuro. Acenei. Nos aproximamos devagar, dei um passo para trás quando percebi que ele queria um abraço. Sinceramente eu não guardava mágoas, mas também não queria demonstrar compaixão, se é que existia. Fiquei firme, não queria de jeito nenhum que transparecesse que eu fiquei balançada, mas eu também não tinha certeza disso.

Ele disse:
Oi.
Eu disse:
Oi... A quanto tempo!
Pois é, tudo bem?
Tudo na paz e com você?
Levando...
(Silêncio)
Ficamos nos olhando, sem ter o que dizer; já fazia muito tempo depois do último encontro, da despedida. Ele tentou conversar mais uma vez:
Está aqui a passeio?
Não, trabalho. É, eu tenho que ir agora.
Ah, tudo bem. Eu também.
Tchau Pedro. Cuide-se!
Tchau Laura. Cuide-se!

Saímos da padaria seguindo lados diferentes. Não olhei para trás, tinha medo que ele também olhasse. Andei depressa, até dobrar a esquina, cheguei ao hotel, subi ao meu quarto, sentei e pensei. "Pedro, Pe-dro" foi o que eu fiquei repetindo, fazia anos que não dizia esse nome. Tinha até esquecido o que eu tinha ido fazer na padaria. Continuei repetindo "Pe-dro, Pe-dro". Adormeci, para ir embora no dia seguinte.


[Erllen Nadine]


4 comentários:

  1. sempre leio o seu blog, me dá paz menina. s2

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  2. E no dia seguinte ela acordou pensarndo: "Pedro, Pe-dro" ..

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  3. adorei o blog, estou seguindo, mt bom!

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  4. *-* adoro as coisas que você escreve °-°

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."