04/09/2010

Do verbo esperar


"Viu os frutos do pomar amadurecer e serem colhidos, viu a neve derreter-se
nas montanhas. Mas nunca mais viu o príncipe."
(Hans C. Andersen)

Continuei morando na mesma rua; mesmo desbotada, a casa ainda tinha a mesma cor: azul claro - a preferida dele. O quintal ainda estava florido, não deixei nossas flores morrerem, assim como uma parte de mim; e os beija-flores continuaram a me visitar. Eu ainda sentia o cheiro dele e havia sempre duas xícaras sobre a mesa. Continuei agindo como se ele nunca tivesse partido. Mas sempre a espera dele. O tempo foi passando [...]. Um dia, os beija-flores deixaram de me visitar; e junto com o jardim, morreu todas as esperas(nças).
E quanto tempo conseguimos esperar que alguém volte para nossas vidas? 
E. N. 

"As luzes da casa nunca mais tornaram a acender com sua chegada." (Caio F.)