05/12/2014

Visceral

parte III do fim

Nunca tive nada para te oferecer além das minhas palavras, e por isso, queria escrever algo bonitamente triste que te fizesse chorar uma noite inteira ou o resto da vida, como se você fosse capaz de tal ato. Queria roubar teus sonhos e sujar a cidade com teu nome. 

As palavras oscilam em mim, me salvam e me afogam. Sinto vontade de abandoná-las, como já fiz tantas vezes. Ou foram elas que me abandonaram? Eu minto pra mim: não há mais o que dizer, mas em silêncio me pergunto os motivos dessa traição. Quando falo em traição, me refiro à traição das palavras.

Não havia nada carnal em jogo, era só minha alma. Não diga a quem te ama que ela não pode te fazer feliz. Isso é imperdoável. Não diga que me ama se não quer continuar me amando. Isso é intragável. Porque me amar é algo difícil demais para você. Não só você, desde o berço encaro despedidas. 

Tantas vezes duvidei do que eu sentia, tantas vezes pensei em desistir, você sabendo ou não das minhas intenções sempre me convenceu a ficar, eu jamais conseguiria o mesmo. Muito tempo em vão se esforçando para mostrar que algo era real. Eu fui apenas uma ilusão na sua falsa liberdade, um estrago no seu cotidiano ideal. Sinto muito, nunca quis entrar na sua vida. 

Eu juro!

Foi você que me encontrou, que me concertou, apenas para me quebrar novamente. Procurei o esquecimento e só encontrei desesperança. Esvaziei-me de você, de mim. Todos os nós se foram. No final dos contos, é apenas sobre mim. Não faz diferença, porque você não me lê, nem lembra que um dia eu existi em você. Não há nada de bonito aqui, muito menos o que nos faça chorar.

Nadine