1 de outubro de 2018

Você é feita de melancolia


Outubro, 2017 (reescrito)

Não se viam a três ou quatro anos, talvez mais. Quando se reencontraram, pareciam adolescentes perdidos no tempo. Entre um gole de café e outro, pequenas pausas e palavras ditas com todo cuidado. Buscavam ali uma memória, retalhos de amor, um  detalhe capaz de mudar suas histórias. 

-  Faz dez anos que você me encontrou.
-  Eu também estava perdida.
- Queria ter te conhecido em outra vida.
- E abrir mão do que vivemos nessa? De jeito nenhum.
- Te conhecer realmente, profundamente.
- Eu sei. Eu tinha tanto pra te dizer, mas hoje não me resta nada.
- Nada?
- Nada. Eu esqueci. Sempre lembro que esqueci.
- Isso acontece muito comigo.
- Você lembra-se do que era feita?
(...)
- Você ainda acredita no amor?
- Eu acredito em você. 
(...)

Estradas opostas, olhos nos olhos e lábios mudos que imploravam para se tocarem. Naquele instante não doeu. Somente depois, na longa volta para casa. Tão sós, na avenida de multidões; vazios, em suas cidades de milhões. Nunca mais falaram no passado, tampouco no futuro. 

N.

"One day... life will be better. I have it here, in my mind.
I have a lot to you, i take a lot from you too." (Interpol)