22 março, 2015

my blue supreme

parte IV do fim 

Foi numa manhã de domingo que sonhei com você, e chorei. Nessa mesma manhã, eu encontrei uma foto sua quando criança dentro de um livro que te emprestei e suas cartas de amor no fundo de uma gaveta. Em uma delas, dizia mais ou menos assim "não importa o quanto a gente mude, nunca vou desistir de você". Não tive forças para ver, além disso, e obviamente, o que estava escrito não aconteceu. 

Eu acreditei por muito tempo que você tinha mudado tanto a ponto de eu não te reconhecer, mas a dura verdade é que você sempre foi exatamente isso, e eu nunca soube quem você era realmente. No entanto, deixei que você soubesse mais de mim do que devia te mostrei minhas feridas e você as abriu mais ainda. 

Dei-te todo amor que (não) pude e quando mais precisei, não houve reciprocidade. E tão rápido quanto à luz, você me esqueceu, me substituiu, seguiu em frente. Meses após o fim e eu ainda estava no mesmo lugar, recolhendo meus pedaços. Amando-te menos a cada dia, te odiando mais a cada hora.

Senti muito, muito medo, que seu falso amor me marcasse para sempre, que eu não consiga voltar a ser a mesma de outrora e essa barreira ao meu redor se torne mais espessa e impenetrável. Eu recuo e afasto qualquer um. Só, se aproxima solidão.

Eu amava nossa história, nossos encontros, a delicadeza dos sentimentos, nossos clichês, as bobagens que nos fazia rir, amava tudo que existia entre o espaço apertado do "você e eu", o nós. Mas o nós deixou de ser pronome para se tornar um emaranhado de lembranças que sofrem a todo instante. 

Eu me doei. Você me doeu. 

Nadine

p.s. não sei se sou mais idiota ou mais sentimental, ou intensamente os dois, que escreve quando tá por um fio. Escrevi para a dor cessar. Por que não cessou?

(desconheço autoria)

Um comentário:

  1. Parece que nunca conhecemos ninguém, até aconteceu essas coisas de acabar o amor...
    Fique bem, de um coração partido para o outro...

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."