09/06/2010

Era quarta-feira...

Era quarta-feira (de cinzas?). Você ia embora e eu não poderia fazer nada. Você olhou profundamente para mim, desviei o olhar, quando tive certeza que você percebeu o quanto eu estava triste. Esperei com você, até a hora que o ônibus chegasse, até você partir. Ficamos conversando bobagens, algumas tentativas inúteis para sorrir. Contei os minutos para que o ônibus não chegasse, 'não hoje, não hoje, não agora'. Nenhuma prece e nenhum dedo cruzado adiantaram. Você deu um beijo na minha bochecha rosada e um abraço apertado; pouquíssimas palavras, que eu não ouvi direito. Sei que você sabia o quanto eu chorava por dentro, e só chorei por fora, quando você virou as costas, entrou no ônibus, e eu nunca mais te vi.

E não houve mais palavras, nem beijos na bochecha ou abraços apertados; houve uma distância imensa, cercada por silêncio e saudade, de dois estranhos que tentavam se conhecer. Duas pessoas tão diferentes, que tentavam ser iguais.

Erllen Nadine


Ao som de "We Might As Well Be Strangers" (Keane)

4 comentários:

  1. desviei o olhar, quando tive certeza que você percebeu o quanto eu estava triste[...]

    Belo post, seu blog é realmente uma graça *--*

    ResponderExcluir
  2. "houve uma distância imensa, cercada por silêncio e saudade"
    Sempre há, sempre.
    Beijo grande!

    ResponderExcluir
  3. (...) realmente muito profundo! adorei

    ResponderExcluir

"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."