10/08/2010

Sorriso (mudo)

"Foi esse sorriso que doeu. Doeu pelo resto da vida." (Caio F.)

Tirei forças não-sei-de-onde, para arrumar as roupas espalhadas pelo quarto na mochila, antes que o ônibus partisse. Dobrei as roupas, mas sem aquele jeito delicado da mamãe. Olhei a hora, ainda tinha tempo para andar pelas ruas que eu queria, e escrever isso no papel. Passei pelos lugares em que já estivemos e deixei um sorriso. Sorri para o asfalto que pisamos; para as praças que sentamos e as flores que estavam por ali; sorri para as árvores e casas que um dia viram nossos beijos e abraços. Sorri também para pessoas desconhecidas. Por um instante, vi nossa imagem, sorri para nós e continuei andando. Aprendi com Caio F., que se olhasse para trás, incompleto partiria - não olhei para trás.
Pois eu não devia, eu não podia.

Erllen Nadine