29 dezembro, 2013

Não era amor, era uma travessura



Eles se conhecem há anos, mas nunca se conheceram de verdade. Embora simples e até mesmo clichê, eles não conseguem entender o que acontece entre os dois. 

Embriagam-se e se aproximam, um se joga em cima do outro, não há laços nem roupas. Quando estão sóbrios, é metade amigos, metade desconhecidos, nada mais que isso. 

Ele pergunta de quem ela gosta, quando na verdade não quer saber. Ciúme. E ela não se importa, de não pertencer à cama dele. Mentira

Não trocam cartas ou telefonemas. Gostam de poemas e não falam de seus dramas. Cada encontro é como se fosse o primeiro ou último. São desesperados, e não esperam nada em troca.

O único segredo que há são eles mesmos. Não existe culpa, arrependimento, nem amor. Existem duas almas querendo fugir de suas realidades. 

- E eu nunca resisto, quando sua boca vem em direção a minha.

Erllen Nadine

*Título: frase do livro Divã (Martha Medeiros, 2002)

3 comentários:

  1. Eles se amam em silêncio, um com consciência do outro, mas mesmo assim não demonstram :')

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  2. Velho, que foi isso? Eu acho que não deveríamos receber tão grande punição de te esperar tanto para escrever aqui. Amor imenso por esses romances densos que tuas linhas desenham.

    Beijo grande, Nadine!

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  3. Acho amor assim bonito demais. Essa intimidade velada, essa vontade de querer ser do outro e mesmo assim não se entregar.
    Lindo, moça. ;*

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."