11 de maio de 2024

twice as hard

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Tenho pensando em você ultimamente, não sei se é porque o show do Interpol se aproxima. Como se fosse você a ficar entre as luzes brilhantes. Na verdade, só queria saber se está bem, o que fez nesses últimos dez anos. 

Deixa eu te contar sobre um amigo que fiz numa rede social de filmes há muito tempo. Um dia, ele sumiu. Não respondia minhas mensagens, não marcava nenhum filme como assistido. Só tínhamos um amigo em comum. Os meses foram passando e nada. Ele poderia ter dado um tempo das redes sem avisar? Ou poderia ter dado um fim a dor que conhecíamos? Eu entendi seja lá o que tivesse acontecido, como fosse de sua vontade. Então, me conformei em não saber o que houve. Esse outro amigo, não. Até que um dia, pouco mais de um ano depois, ele descobriu o que aconteceu. Estava ali o tempo todo, no lugar onde todos nós nos conhecemos. Nosso amigo tinha sido uma das milhões de vítimas da pandemia. A última conversa continua lá, sem resposta e sem foto, apenas silêncio e saudade.

Mas o que essa história tem a ver com você? Provavelmente nada ou um pouco de tudo. Viemos quase do mesmo lugar, muitos anos antes. Nós sumimos depois de sermos amigos, amantes e por fim, quebrarmos nossos corações mutuamente. Te mandei uma mensagem que nunca foi respondida, um e-mail que nunca chegou. Você realizou seus sonhos? Ainda luta pelos desfavorecidos ou faz parte do sistema? 

Dessa vez, talvez eu nunca saiba. Só espero que você esteja por aí, sendo feliz. 

Assinado eu.


(Um desabafo ao som de aproximadamente nove músicas de Interpol ou quase um disco completo).
F., sinto sua falta. Que você esteja em paz.