"Te humilhar. E me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso."
(Chico B.)
(Chico B.)
— Posso acender um cigarro?
Foi à primeira coisa que Pedro disse ao chegar à casa de Laura.
Um dia antes, eles reencontraram-se. Ele estava lá a trabalho, ela a passeio. Numa cidade distante de onde tudo terminou, ou seria: começou? Pedro a viu entre pessoas e conversas. Era ela? Sim, era Laura. Os olhos verdes de Laura guiaram-se para a esquerda, encontrando-o. Ela engoliu no seco toda uma vida que deixou para trás, enquanto o coração dele dava pulos. Trocaram poucas palavras. E como dois amantes, combinaram-se indiretamente que queriam se ver, quem sabe tomar uma dose de qualquer coisa.
— Tem cerveja, você quer? - Perguntou Laura. Pedro aceitou, e logo em seguida, disse: — Eu nem sei ao certo porque estou aqui. — Talvez você tenha perguntas e eu tenho as respostas. — Não, Laura. Por muito tempo eu esperei por isso, quis saber os motivos. Mas não importa mais o porquê você ter ido embora. — Queria que tivesse sido diferente, mas não foi. Eu só tinha 19 e nos meus bolsos só haviam sonhos. Não queria me prender ou depender de alguém. Eu queria ser livre e ir buscar o que eu desejava.
A verdade é que Pedro queria ouvir que ela estava arrependida, mas não estava. Ambos tinham refeitos seus caminhos. Ele era noivo. Ela terminou a faculdade e era uma ótima professora de inglês. E por mais que se desprendessem do passado, sempre sobrava algo. Passaram muito tempo falando sobre o que não mais voltava. Perdendo-se entre a cerveja e as palavras que viravam cinzas. Até que o silêncio pairou. (...)
Erllen Nadine
