10/11/2011

Coração vagabundo

 Deixa eu apagar o fogo do teu cigarro, do teu corpo.

As paredes tinham o tom da camisa desabotoada dele, a cerveja tinha nome de mulher, para lembrá-lo de todas as moças que já se arranharam em sua barba, se debruçaram em seu peito. Uma das mãos segurava o cigarro, a outra encontrava as coxas dela, enquanto sua voz safada a fazia perguntas. Ela não se atreveu a mergulhar nos olhos dele por mais de 5 segundos, tinha medo de desvendar mistérios.

Sem perceber, foi sendo arrastada para dentro da vida daquele homem de 30 anos. O manchou de batom vermelho, deixou que o desejo ardesse nas entranhas, para enfeitar o corpo com delírio. Queria que a noite não amanhecesse só para não ter que anunciar uma despedida.

Mas era preciso ir, e não havia lençol, perna ou braço que a segurasse. Piscou o olho enquanto prendia o laço do vestido. Com o cigarro aceso entre os lábios, sorriu pela metade. Antes de sair e dobrar a esquina para não voltar, disse:

"Desgraçado". Foi sua mais íntima declaração de amor.

Erllen Nadine