10/11/2011

Coração vagabundo

 Deixa eu apagar o fogo do teu cigarro, do teu corpo.

As paredes tinham o tom da camisa desabotoada dele, a cerveja tinha nome de mulher, para lembrá-lo de todas as moças que já se arranharam em sua barba, se debruçaram em seu peito. Uma das mãos segurava o cigarro, a outra encontrava as coxas dela, enquanto sua voz safada a fazia perguntas. Ela não se atreveu a mergulhar nos olhos dele por mais de 5 segundos, tinha medo de desvendar mistérios.

Sem perceber, foi sendo arrastada para dentro da vida daquele homem de 30 anos. O manchou de batom vermelho, deixou que o desejo ardesse nas entranhas, para enfeitar o corpo com delírio. Queria que a noite não amanhecesse só para não ter que anunciar uma despedida.

Mas era preciso ir, e não havia lençol, perna ou braço que a segurasse. Piscou o olho enquanto prendia o laço do vestido. Com o cigarro aceso entre os lábios, sorriu pela metade. Antes de sair e dobrar a esquina para não voltar, disse:

"Desgraçado". Foi sua mais íntima declaração de amor.

Erllen Nadine

22 comentários:

  1. Desgraçaaado. KKK
    Esse seu texto tá tão sexy, Erllen Nadine.
    E ao mesmo tempo apaixonante. ;)

    "Vim só dar despedida" (8)
    Sei lá, deu vontade de colocar esse trecho. ;p

    beeijoca ;*

    ResponderExcluir
  2. Gostei do texto... lembrei de uma conversa que tive com uma amiga.rs
    Meios sorrisos... entendo. Mas esse meio sorriso foi só por fora, por dentro ela era sol, mar e lua, tudo misturado.

    Beijos =D

    ResponderExcluir
  3. É sempre estranho pensar que um dia as pessoas já foram apaixonadas por você, porque atualmente nada é como antes. Tudo que você imaginava ser perfeito, quando havia esse tipo de convivência, mudou completamente de sentido. O calor do corpo, os abraços, as conversas claras e sentimentais não são mais nada diante de fracas e até mesmo irrelevantes batidas de corações, e geralmente quando isso acontece, algum deles deve se sentir culpado disso e para não se ferir ainda mais, simplesmente deixar o caminho levar ele a qualquer lugar melhor, e como desculpas deixa aquela outra metade do coração ainda mais só, sem nenhuma resposta adequada para aquela separação.

    Quando pensamos que tudo poderia ser construído com o amor, percebemos depois de algum tempo que até mesmo o outro não nos via com olhar de apaixonado.

    Adorei Nadine, nossa esse ficou grande. Bem, é a minha reflexão =*

    ResponderExcluir
  4. Posso dizer que sou alguém intensa, sentimental e amorosa, quando amo eu amo pra valer.Mas sou igualemtne sórdida e levo o desejo e o tesão muito a sério como sentimentos, tenho fases extremamente sexuais.
    O sexo só pelo sexo e o tesão em si já me serviram de extremo conforto, já me fizeram em toda a minha baixa estima me sentir a mais amada das mulheres, mesmo que naquele momento de extase a palavra carinhosa tenha sido "cadela", me senti mais amada do que em várias outras vezes em que fui chamada de meu amor.Um brinde a todas as declarações sordidas e tão verdadeiras vindas em forma de palavras como "Cadela" ou "Desgraçado"!

    ResponderExcluir
  5. Sabia que eu achei bonito? Sou adepta desses ''amores'' de pouco tempo e grande intensidade, e enxerguei o texto assim.

    Que blog bonito ein, fez meu dia encontrá-lo.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  6. A Nadine, voce escreve com tanto sentimento. è tão doce. Voce conta casos que acontecem por ae de uma forma tão doce e bonita.

    Beeijos!

    ResponderExcluir
  7. "Desgraçado, filho da mãe!"

    Foi o que eu disse pra mim, em voz alta, quando percebi que estava irremediavelmente apaixonada e entregue.

    Como entendo isso, como sei que é reconhecimento do mérito do sacana, cafa (rs) e não xingamento.

    Vou chover no molhado e dizer que o teu texto é lindo, perfeito, sensual e elegante e que equilibra todos os elementos dignos de todos os elogios com maestria.

    Não para, garota, escreve sempre, tu vai longe, teu caminho é bonito, prevejo isso.

    Um beijo.

    ResponderExcluir
  8. Estava clicando por aí, descobri teu blog e gostei. Estou seguindo. Assim como já disseram num dos comentários, também sou adepta desses amores curtos e intensos.
    Fã de Los Hermanos, né? Tem bom gosto. Ótimo gosto, rs.

    Beijão!

    ResponderExcluir
  9. Ai Nadine, me apaixonei por esse texto! Foi aquele ar de paixão arrasadora, fogo de sentimento, batimentos acelerados.. é, essas coisas que a gente nunca sabe explicar mas que você despejou tão bem em cada palavra. Muito bom ler o que você anda despindo por aqui. Beijo grande, Bia.

    ResponderExcluir
  10. Isso me lembra um certo caso de 2010.Lembra muito..e agora eu me doí.

    ResponderExcluir
  11. Quanta delicadeza depois de tamanho amor né?
    Como as vezes expressamos nosso amor, nossa dor de forma esquisita.
    Eu amei seu texto Ná, fazia muito tempo que eu não via algo tão delicado, real, profundo assim aqui, eu amei amei, amei.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  12. Já que valia olhá-la
    Como não perseber que estava assustada
    Distante dos olhos inquisitivos
    A apelar para os panos, corpo e músculos
    Nas cinzas de algo que terminaria antes da despedida
    O olor translúcido e quente a transpirar do adjetivo que sairia pela mesma porta que o mordeu a rangir de dentes e língua
    Grita uma de-prece (ativa) para calá-lo no lugar para onde a levara a noite passada
    Que olhos ignoram a sua partida...a palavra perdida no silêncio ou na exclamação:
    -Eu(...)
    "-Desgraçado".

    ResponderExcluir
  13. Uauu que intenso!
    Quando se fala de amor um desgraçado pode ser as mais puras declarações. O amor é simplesmente sem explicações.
    Belo texto.
    Beijos

    ResponderExcluir
  14. Hei, que texto bonito, intenso, profundo..
    Gostei! *-*
    Tu tem talento, garota! Nem preciso dizer. Como disse a Luna querida: Não para garota, escreve sempre! *-*
    Lindo, lindo..
    O amor e seus detalhes que nos confundem, haha. Esse "desgraçado" pode ser traduzido de tantas outras formas, haha ^^
    Beijos :*

    ResponderExcluir
  15. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Alma de poesia. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  16. Talvez na mente dela cabece vários homens, mas em seu coração ela sentia o 'desgraçado'.
    Gostei, beijos!

    ResponderExcluir
  17. Gostei bastante da forma que você escreve. Parabéns.

    ResponderExcluir
  18. Cadê tu?

    Quero post novo, quero te ler mais!

    Beijocas.

    ResponderExcluir
  19. Que perfeito, isso me parece alguém KK.

    ResponderExcluir

"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."