04/02/2012

Carna(va)l

Mirage

Naquele altar, muitas sensações percorriam meu corpo. E apenas um pensamento eu tinha, e não era sobre o homem que estava ao meu lado, que por mais maravilhoso que ele fosse não me tinha por completo. Passaram-se anos, e certas faíscas não se apagaram do coração.

(Dizem que amor de carnaval acaba em cinzas. Aquele não. Ele era de outra cidade, outro estado, e possuía um sorriso e as coxas tão incríveis que eu jurava que era de outro planeta. Era amigo de um amigo, com aquele dilema-clichê que faz qualquer um se apaixonar.

Lembro-me de todos os dias, especialmente daquela terça feira mágica. Ele olhou para as estrelas de papel no teto do meu quarto, e me puxou para mais perto enquanto dizia:

— Você. Você é o mais perto das estrelas que eu consegui chegar.

Não disse nada, só deixei meu-corpo-no-dele. Mas o outro dia era quarta-feira de cinza, das paixões que se apagam e do resto de samba não ensaiado. Foi embora, quase do jeito que veio. E um dia, não atendeu minha ligação, não respondeu minha carta. E jamais entraria por aquela porta. Sabemos quando algo termina, mas nunca sabemos quando termina dentro de nós.

Existem muitos cinco dias dentro de uma paixão e outra. Muitos cinco dias que enlouquecem. E é preciso até menos que isso para cair dentro de um romance. Eu o amei em segredo durante cinco dias. E o resto da vida.)

Saí do meu devaneio e me voltei para uma aliança. Há três palavras que salvam uma vida. Há uma palavra que a modifica completamente.

— Sim.

Erllen Nadine

"Nunca disseram adeus, nem até mais (...). Eles esperavam um pelo
outro, embora nenhum pedido tenha sido feito." (Cáh Morandi)