29/09/2016

dei um nome para minha dor. eu a chamo "Assalto"

fora de forma. doente. mal segurando minha alma no corpo (...)

dor atravessa as sombras desse quarto
posso senti-la em meus braços
posso ouvi-la rodar em meu ventilador barato (...)

ah, meu companheiro!
nós tomamos banho juntos, dormimos juntos,
comemos juntos, nós
abrimos cartas juntos.
nós escrevemos poemas juntos
nós lemos poemas juntos.

uns dizem que amo minha dor. 

sim, eu a amo tanto que gostaria de dá-la pra você
embrulhada com uma fita vermelha
embrulhada com uma fita vermelha de sangue
pode ficar com ela
pode ficar com ela toda.
eu nunca vou sentir falta.

estou tentando me livrar dela, acredite
poderia empurrá-la em sua caixa de correio
ou atirá-la no banco de trás de seu carro.

mas agora
aqui na av. De Longpre 
nós temos apenas
um ao outro. 

fragmento do poema "Assalto", Charles Bukowski:
essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém.

Edward Hopper + Ursula Murray

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."