— É verdade, eu te odiei. Muito, profundamente. Mas não mais. Eu mudei muito, não?
— Sim, é verdade, você mudou. Era cedo demais. Se tivéssemos nos conhecido agora, talvez tivesse funcionado.
— Sim, talvez. Mas já nos conhecemos.
— Não é a mesma coisa.
— Sabe que está muito mais bela que antes? Sério. Nós éramos jovens demais, agora podemos lidar com isso melhor, não acha?
— Não, eu não acho. E não estou a procura de nada.
— Mas nós nos amávamos.
— Ah, não realmente, fui eu quem te amou. Você estava apaixonado. Não é a mesma coisa.
— Naturalmente, você disse "eu te amo" porque eu te amava, e então...
— E então, não parecia ser razão suficiente?
— Eu me casei para me livrar de você, para esquecê-lo. Você me magoou tanto que decidi casar-me com o primeiro que me pedisse gentilmente.
— Por que não esquecemos tudo e fugimos agora? Tenho certeza que seremos felizes.
— Oito anos atrás... Você realmente me amava?
— Eu era louco por você, eu te adorava, mas eu preferia me matar antes que você soubesse disso.
— Você lembra o que me disse, oito anos atrás? E Deus sabe o quanto me doeu ouvir você dizer que: "Todas as histórias de amor precisam ter um início, um meio e um fim."
— Você pode amar ou ser amado uma segunda vez.
— Mas precisa saber como ser amado. E eu não valho nada. Existe algo em mim que faz com que as pessoas me rejeitem.
A Mulher do Lado (François Truffaut, 1981)
