10 outubro, 2016

Você não passa de um substantivo abstrato

 (mas eu te quero tanto)

Cari Ann Wayan

A gente tá sempre se desencontrando.

Você dobrou a esquina no momento exato que me atrasei e por isso não nos esbarramos; sentei ao seu lado e pedi um café, a distração não te deixou perceber; vi-te na multidão, mas seguíamos direções opostas.

Bobagem minha, acreditar que você me procura em algum lugar. Que me achará mais cedo ou no entardecer. Então nos entenderemos pela primeira vez na vida e nenhuma explicação precisará ser feita, finalmente seremos felizes.

Logo você, que me refugiou diversas vezes e me jogou do precipício tantas outras. Será que algum dia nós nos perdoaremos?

Eu te desprezei há muito tempo para salvar o resto de mim. E o que restou? Tenho quase certeza que você ri do que me tornei. Mendigando um gole de você em cada vazio, em cada alma que mal toquei. Quase implorando para que você apareça e faça meu coração bater. BUM! Eu consigo sentir, estou viva! 

Bobagem sua, acreditar que eu te espero em qualquer lugar e que nunca mais fugirei. Diga-me uma única vez que você não me despedaçou? Eu te quero, te amo, mas não preciso de você. Não mais. Não ter você é uma dádiva tanto quanto ter. Ah, meu (des)conhecido agridoce, o Amor. 

Erllen Nadine

"Amor é o que acontece uma vez a cada dez anos." (Buk)

Título: inspirado em Caio F.

Um comentário:

  1. O amor deve está deprimido ou bêbado por ai, que nem enxerga mais ninguém, mas se o encontrar, diga que ainda estou viva e em paz, esperando por ele.

    Beijos, minha moça :*

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"Um sorriso que derreta satélites e corações gelados."