16/12/2010

II - das cartas que não são enviadas

Bem meu, para você, meu bem.

Eu quis te mandar um desenho, aquele desenho engraçado que você fez numa folha amassada, e havia também uma data, escrita em um guardanapo. Afinal, eram lembranças, eu queria que você ficasse com elas. Meu erro foi querer te proteger de qualquer mal que pudesse lhe alcançar. Eu não desisti, mesmo sabendo que daria errado, porque era você. Você. Eu quis te contar do estrago que a dor fez, mas quando vi você na minha direção, esqueci dos cortes. Mas o teu silêncio falou mais alto. Fui pela estrada torta, você pegou a contramão. Tranquei teu amor dentro de mim e entreguei as chaves para Deus. Sinto falta do "eu te amo" que você nunca me falou; e que eu disse, mas você não ouviu, porque já tinha dobrado a esquina.

Tô te esperando, principalmente aos sábados;
às 18 horas, na rodoviária de sempre.


Erllen Nadine